Brasília, 21 (AE) - A Polícia Federal está procurando em São Paulo o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho Nicolau dos Santos Neto, sob suspeita do Ministério Público de ter enriquecido ilicitamente com o desvio de dinheiro destinado à construção do Fórum Trabalhista. De acordo com o vice-presidente da CPI do Judiciário, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), os agentes federais estão vigiando a casa de Nicolau. Há indícios de que o juiz tenha viajado para Miami, onde tem um luxuoso apartamento. Os integrantes da comissão já decidiram quebrar o sigilo bancário e telefônico do ex-presidente do TRT, da Incal - empresa responsável pela obra - e seus proprietários.
Na reunião que terá sexta-feira com procuradores de São Paulo que investigam o escândalo na construção do Fórum - um "esqueleto" que já custou aos cofres públicos R$ 263,9 milhões -, Carlos Wilson vai propor que a CPI passe a atuar em conjunto com a Procuradoria e a Polícia Federal. Segundo o parlamentar, a iniciativa vai apressar os trabalhos de investigação, já que a comissão tem poderes para adotar medidas, como a quebra de sigilo, que levam tempo para ser obtidas pelo Ministério Público. "O trabalho da Polícia Federal é indispensável", defendeu. "Sem a sua atuação, os suspeitos podem desaparecer, saindo do País, de uma hora para outra".
O relator da CPI, Paulo Souto (PFL-BA), e o senador Geraldo Althoff (PFL-SC) também participarão do encontro. Depois de conversar com os procuradores, os senadores vão visitar as obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, como fez o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), antes de apresentar o requerimento de criação da CPI. A data do depoimento de Nicolau dos Santos à comissão deve ser marcada ainda esta semana. Além de vários documentos que comprovam o seu rápido enriquecimento, coincidente com a liberação de verbas para a construção do Fórum, os senadores também vão ouvir testemunhas já ouvidas pelo Ministério Público, como o seu ex-genro, Marco Aurélio Gil de Oliveira, e um ex-colaborador que montou um dossiê sobre os gastos de Nicolau no exterior.
Na segunda-feira, a CPI ouvirá o subprocurador da República Eithel Santiago de Brito, que investiga as irregulairdades cometidas no Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba. No dia seguinte, será a vez do desembargador Vicente Vanderlei, ex-presidente daquele tribunal, que tentou, mas não conseguiu acabar com as irregularidades praticadas por vários de seus colegas juízes.

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