Curitiba - A PF (Polícia Federal) prendeu preventivamente oito suspeitos de integrar núcleos criminosos em Foz do Iguaçu, Céu Azul e Santa Terezinha de Itaipu, no Oeste do Estado, que davam apoio ao transporte de mercadorias ilícitas nesta terça-feira (16). Foram identificados cinco grupos que atuavam repassando informações para driblar a fiscalização, armazenando mercadorias e disponibilizando pessoas para atuar como olheiros, motoristas e “batedores” em ações de transporte ilegal.

Policiais retiraram câmera de vigilância que estava instalada em árvore perto de posto da PRF na BR-277 em Céu Azul
Policiais retiraram câmera de vigilância que estava instalada em árvore perto de posto da PRF na BR-277 em Céu Azul | Foto: Divulgação/PRF

Um desses núcleos mantinha uma câmera de vigilância direcionada para o posto da PRF (Polícia Rodoviária) na BR-277 em Céu Azul. Instalado em uma árvore a mais de 500 metros dos policiais, o dispositivo podia ser monitorado a distância e permitia observar em detalhes a movimentação na unidade — localizada na principal ligação de Foz do Iguaçu com o resto do Paraná, de acordo com o inspetor da PRF Fernando Oliveira.

“Quem estivesse acessando as imagens remotamente saberia o momento exato em que não haveria policiais no posto”, explicou o inspetor à FOLHA. “Isso pouparia a quadrilha de contratar os 'batedores' que costumam acompanhar cargas com maior valor de mercado, como drogas ou cigarro.”

Além da câmera, os núcleos mantinham olheiros espalhados por diversos pontos da região para informar sobre o posicionamento dos policiais. Alguns trabalhavam em tempo integral na função, contribuindo “de forma determinante” para proteger criminosos de fiscalização, disse a delegada da da PF Shirley Caselani Sitta, em entrevista coletiva concedida em Foz na manhã da operação — batizada de “Saúva”.

“Essa pessoa que tinha esse sistema [de vídeo], na verdade, estava concorrendo com a prática de vários crimes que poderiam acontecer nesses transportes. Poderia até contribuir com o tráfico de armas e drogas”, contou. “Ele repassava, independentemente do que estava sendo transportado”, disse. Neste núcleo, também foram encontradas três armas e 655 quilos de maconha.

A operação apreendeu mais de R$ 100 mil em mercadorias contrabandeadas ou de descaminho, além de “valores expressivos” em cigarros. Os presos devem ser indiciados por crimes como descaminho, contrabando, associação e organização criminosa.

As investigações, que tiveram colaboração da PRF, começaram em 2017, a partir de mercadorias apreendidas. Foram identificados cinco núcleos criminosos, que atuavam “ora de forma independente, ora de forma relacionada”, no apoio ao transporte das mercadorias. Além do grupo que dispunha da central de monitoramento do posto da PRF, outros núcleos utilizavam carros roubados ou com placas falsas para cometer os crimes. Segundo a PF, houve registros de tentativa de fuga em alta velocidade durante abordagens policiais a estes suspeitos.

Dos 15 mandados de busca e apreensão, 11 haviam sido cumpridos até o fim da tarde desta terça-feira, segundo a PF. Dois mandados de prisão preventiva também ainda estavam em aberto por falta de localização dos suspeitos. Participaram da operação 60 policiais.

O policial rodoviário federal Luiz Gênova, chefe da Delegacia da PRF em Foz, disse à imprensa que a operação representou um “grande golpe” nas quadrilhas que monitoram a polícia. “Notadamente, quem se beneficia das informações de um monitoramento dessa natureza, são todas as pessoas que tentam introduzir no nosso país materiais ilegais, quer sejam drogas, armas ou munições, que tanto assolam os grandes centros com o avanço da criminalidade”, disse.

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