A Polícia Federal prendeu ontem, em Campo Grande, por volta das 14 horas, quatro homens e quatro mulheres acusados de participação no sequestro do compositor Wellington Camargo, irmão dos cantores Zezé Di Camargo e Luciano. Ele ficou 94 dias em cativeiro. Foram apreendidos com o grupo US$ 260 mil, além de pistolas, celulares e revólveres.
Foram presos Moacir Francisco de Oliveira, José Francisco de Oliveira, Osmar Dias, José Luis Montana, Natividade Aparecida Buri, Maria Lúcia Paixão, Lázara Bernardina Farias e Taciana Tatiana Farias. O grupo estava na casa de Montana, na travessa Pimentel, área central da cidade.
Moacir Francisco de Oliveira afirmou ontem que se Wellington Camargo morresse no cativeiro, o grupo liderado por ele sequestraria o filho de Zezé di Camargo. Ele falou em nome do grupo, insistiu sobre o fato de todos serem responsáveis pelo sequestro e não quis dizer quem cortou a orelha da vítima. Moacir declarou que se o sequestro fosse frustrado de alguma forma, mataria o irmão de Zezé di Camargo, Emanuel Camargo, que fazia as negociações.
Oliveira mostrou-se bastante irritado com Emanuel. ‘‘A gente tinha firmado acordo de US$ 300 mil para o resgate. Mas o Emanuel apareceu com R$ 150 mil, aí foi uma decepção geral. E ficou acertado que se ocorresse alguma falha Emanuel seria morto de qualquer maneira.’ Em seguida, explicou, que no final do sequestro a família concordou em pagar US$ 300 mil. Oliveira cumpriu 10 anos e dois meses de prisão no Carandiru, de onde foi transferido para o interior de São Paulo e fugiu. Ele cumpria pena por latrocínio e homicídio doloso.
As prisões aconteceram por volta de 14 horas quando a residência de José Luis Montana foi cercada por agentes da Polícia Federal de Campo Grande. Os policiais apreenderam três pistolas automáticas utilizadas no sequestro, dois celulares, além de várias pastas onde estavam cerca de US$ 260 mil, dinheiro do resgate.
Wellington Camargo só estará em condições de prestar depoimento à polícia no fim de semana. Segundo a psicóloga Margarette Romano, que vem acompanhando o compositor desde que ele chegou ao Hospital Amparo, ele está bastante traumatizado. Wellington evita o espelho por causa da orelha mutilada pelos sequestradores. ‘‘Perdi um pedaço de mim, mas ganhei uma nova vida’’, disse ontem em entrevista.
Apesar de parcialmente sedado, por causa das dores que sente nas costas e pela mutilação da orelha, o compositor não conseguiu dormir direito. Ele acordou várias vezes com pesadelos e sobressaltado. ‘‘Mas, apesar disso, ele está emocionalmente bem’’, afirmou a psicóloga. ‘‘Estou triste, mas vou superar’’, afirmou Wellington.

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