PF prende seis nigerianos clandestinos no Rio
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Rio - Cinco nigerianos foram detidos pela Polícia Federal, no início da manhã de ontem, quando se preparavam para pular do navio cargueiro Edwine Odendorff, ancorado na Baía de Guanabara, no Rio. Eles viajaram clandestinamente na embarcação, que saiu de Lagos (capital da Nigéria) no dia 30 de dezembro. Segundo a PF, os africanos foram descobertos na madrugada de ontem pelo capitão do navio, que acionou os agentes responsáveis pela fiscalização do porto. Os nigerianos disseram que estavam fugindo da guerra civil na Nigéria e querem ficar na cidade para trabalhar.
''Eles estavam prontos para pular na água. Sabem que estão errados, são clandestinos'', disse o delegado Eduardo Matta, chefe da imigração da PF. Matta informou que os cinco foram encontrados perto do leme, na parte de baixo do navio, que tem bandeira de Cingapura. O nome da empresa não foi revelado. ''Esse não é um caso inédito. No Rio, aparecem clandestinos pelo menos duas vezes por mês. Muitos morrem durante a viagem, de fome e frio.''
''Minha família foi toda morta por causa da guerra. Peguei o navio porque quero ficar aqui para trabalhar. Não tenho ninguém'', contou o nigeriano Thompson Wesseh, de 19 anos. Segundo a PF, ''por enquanto, eles ficam em um hotel no centro da cidade e só podem sair acompanhados de policiais''. O navio chegou ao Rio de madrugada para abastecer e seguirá para o porto de Sepetiba, no litoral sul, onde será carregado com material siderúrgico.
Os seis africanos que desembarcaram quinta-feira no Recife, viajando como clandestinos no navio de bandeira grega Anagel Eagle, tiveram prisão administrativa decretada ontem e estão recolhidos no Centro de Triagem de Abreu e Lima, na região metropolitana. A empresa que agencia o navio, a Williams Serviços Marítimos Ltda, se negou a assinar protocolo se comprometendo a arcar com as despesas de hospedagem e segurança do grupo. Nesses casos, de acordo o assessor de comunicação da Polícia Federal em Pernambuco, Giovani Santoro, a prisão administrativa é prevista pelo Estatuto do Estrangeiro.
Eles deverão permanecer no Centro de Triagem até a conclusão do processo de repatriação, o que deve ocorrer em cerca de 25 dias. Quatro dos estrangeiros são da Libéria e dois da Nigéria. Nos últimos dois meses, 16 africanos chegaram clandestinamente a bordo de embarcações ao Recife. Os outros 10 vieram no navio de bandeira chinesa Tu King e aguardam apreciação do governo brasileiro a um pedido de refúgio.


