Rio, 08 (AE) - Policiais da 59ª Delegacia de Polícia (Duque de Caxias) prenderam ontem (07) à noite Alda Inês dos Anjos Oliveira, de 20 anos, apontada como a segunda pessoa no comando da organização liderada pelo traficante carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Segundo o delegado da 59ª, Ricardo Domingues Pereira, Alda Inês era responsável pela compra de droga na fronteira com o Paraguai. O dinheiro para a transação era depositado por Beira-Mar em uma conta corrente em seu nome. No final da tarde de hoje teve início uma operação da polícia na Favela Beira-Mar, em Caxias, em busca de outros integrantes da quadrilha.
Alda Inês foi citada no depoimento de uma testemunha-chave ouvida na quinta-feira no Ministério Público Estadual (MPE). A polícia localizou seu paradeiro no domingo e a prendeu na noite do mesmo dia na Praça Mauá, no Centro, onde, aparentemente, pretendia pegar um ônibus. O MPE incluiu hoje o nome de Alda Inês na denúncia envolvendo outras 17 pessoas que fariam parte da quadrilha de Beira-Mar e ela poderá ser ouvida amanhã (09) pela juíza da 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, Terezinha Avellar. A partir de hoje, a pedido do MPE, o inquérito está correndo em sigilo de Justiça. Ela também deverá ser ouvida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico.
Ao ser presa, a moça estava com o cabelo cortado bem curto, diferente do que costumava usar, e carregava uma bolsa de roupas
o que fez a polícia suspeitar de que ela pretendesse fugir. "Ela estava muito tensa e não quis prestar depoimento; só falará em juízo", contou o delegado.
Alda Inês está presa na carceragem feminina da Companhia de Trânsito (Ceptran), considerada um local mais seguro pelos policiais. O delegado revelou hoje que a polícia tem uma fita de vídeo e diversas fotos, apreendidas há um mês na favela Beira-Mar, em Caxias, em que aparecem diversos integrantes da quadrilha do traficante.
Denúncia - O procurador-geral de Justiça, José Muiños Piñero Filho, anunciou hoje que, em decorrência dos depoimentos prestados, o MPE fará, nos próximos dias, uma nova denúncia, incluindo o nome de mais 12 pessoas que também estariam envolvidas com a quadrilha de Beira-Mar.
Além disso, há dois expedientes também sendo investigados sobre tráfico de drogas, que envolveriam outras nove pessoas. Cada um dos expedientes cita pelo menos uma pessoa pertencente ao poder público. "Tudo o que posso dizer é que há duas pessoas sendo investigadas que fazem parte do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário", disse.
Os expedientes foram repassados hoje à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, que irá pedir amanhã (09) a quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário dos envolvidos e checar se eles teriam ligação com a quadrilha de Beira-Mar. Muiños Piñero revelou também que a Polícia Civil está investigando a existência de um cemitério clandestino na Baixada Fluminense, onde estariam enterrados os corpos das vítimas do traficante.

mockup