PF prende em Rondônia suspeitos da morte de agente federal
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 10 (AE) - A Polícia Federal de Rondônia prendeu em Pimenteiras (RO), na divisa do Brasil com a Bolívia, 11 suspeitos pela morte do agente federal Roberto Simões de Mentzigen. Agora são 14 os presos em Rodônia acusados de matar Simões e deixar feridos os agentes Adilson Alves Vieira e Noé Pio de Lacerda Júnior, que participavam de uma operação de combate ao tráfico. Simões foi morto há uma semana, numa emboscada feita por traficantes de drogas. No tiroteio com os agentes, os traficantes usaram fuzis.
Os presos são Celso Schimidt (Celso Gaúcho), líder, Oziel Schimidt, Celso Correira Godoy, Ivo Correia Godoy, Paulo Fábio Herreira de Aguiar Andrade (Fabito), José Pereira Melgar (Butelo), Celso Quintino da Luz, Magno Luiz Borges Piovesan, Reinaldo Cardoso Dantas, Keila Martins Lopes e Jenny Jéssica Gomes Gutierre (Kátia).
A prisão foi feita por agentes do Comando de Operações Táticas, o grupo de elite da PF, que, deslocado para Rondônia, iniciou uma caçada para prender os integrantes da quadrilha comandada por Celso Schimidt, um dos responsáveis pelo tráfico de drogas do Estado para o interior de São Paulo, que emboscou os agentes. As polícias Rodoviária, Militar e Civil também participam da operação.
O superintendente da PF em Rondônia, Wilson Salles Damázio, estava em Vilhena, de onde coordenou com um delegado especial do Mato Grosso do Sul a operação para prender os traficantes que mataram o agente federal e balearam outros dois.
Dos 11 presos, dois - Ivo e Oziel Schimidt - são irmãos do líder da quadrilha. O outro irmão, Eliseu Schimidt, escapou do cerco da PF, mas os policiais já teriam informações sobre seu paradeiro. Segundo a PF, o agente morto e outros dois colegas foram emboscados quando tentavam localizar um depósito de cocaína às margens do Rio Guaporé, na divisa do Brasil com a Bolívia, juntamente com Eliseu Schimith, preso horas antes em uma chácara em Pimenteiras com vários quilos de cocaína no carro. A operação contava com sete agentes federais.
Eliseu, irmão de Celso Schimith, teria se oferecido aos agentes para ajudar na busca da outra parte da cocaína. Na viagem, Eliseu alegou que o barco precisava ser reabastecido e indicou uma casa, às margens do rio, onde haveria gasolina para vender. Ao chegar ao local, os agentes foram emboscados por dez traficantes.
A rota usada é a mesma descrita há algumas semanas pelo traficante Aryzolin Trindade Sobrinho, em depoimento à CPI do Narcotráfico. Segundo ele, os traficantes roubam caminhões em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná e trocam por cocaína em Rondônia.
Menos de 30 policiais federais trabalham em toda a faixa de fronteira com a Bolívia, de 1.340 quilômetros. Em Guajará-Mirim, principal cidade por onde passa a cocaína no Estado, só há seis agentes.


