São Paulo, 13 (AE) - A Polícia Federal prendeu o empresário José Matusalém Comelli, diretor presidente do jornal catarinense "O Estado", na terça-feira (11). Ele foi preso por crime de inadimplência previdenciária e está em uma cela especial no 4º Batalhão da Polícia Militar, em Florianópolis (SC). A prisão foi decretada dia 6 pelo juiz substituto da Vara Criminal Federal de Florianópolis, Celso Wiggers, a pedido do Ministério Público. É a quarta condenação de Comelli pelo mesmo motivo.
Antes de ter a prisão decretada, Comelli já havia sido condenado, em primeira instância, outras três vezes pelo mesmo crime. Ele é acusado de não repassar à Previdência Social a contribuição recolhida dos salários de seus funcionários, ferindo o artigo 95 da Lei Federal 8.212, Lei do Custeio da Previdência Social.
O diretor-presidente do jornal catarinense foi condenado a cinco anos de prisão, mas a soma das penas das três condenações chega a 11 anos de reclusão.Segundo informações da Justiça de Florianópolis, Comelli recorreu de todas as condenações no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS), mas os recursos ainda não foram apreciados.
Além da prisão preventiva, por tempo indeterminado, e dos cinco anos de reclusão a que foi condenado, o empresário terá de pagar multa de 300 salários mínimos. Por não ser réu primário, Comelli não tem direito a fiança.
De acordo com a sentença do dia 6, Comelli foi preso por inadimplência previdenciária entre novembro de 1994 e agosto de 1995. Pela sentença do juiz Wiggers, o dono do jornal catarinense teria deixado de repassar à Previdência durante o período R$ 66.787,25 em valores da época.
Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Luís Fernando Assunção, o jornal "O Estado, o mais antigo de Santa Catarina com 84 anos de existência, tem atualmente cerca de 100 funcionários. No entanto, na década de 80, a empresa jornalística chegou a ter mais de 700 empregados.Segundo o presidente da entidade, a redação tem atualmente pouco mais de dez jornalistas.
Salários - Assunção afirmou que o sindicato vai entrar com uma ação na Justiça para garantir que os jornalistas recebam seus salários. Segundo informou o presidente do sindicato, no final do ano passado a maior parte dos profissionais de comunicação foi demitida. "Na ocasião, a empresa parcelou a rescisão de seus funcionários, o que é ilegal. Como se não bastasse isso, pagou apenas duas parcelas e nada mais", disse Assunção. O presidente do sindicato afirmou que, em alguns casos
a rescisão contratual foi parcelada em 30 vezes.

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