PF prende dez suspeitos de planejar atentado na Rio-2016
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quinta-feira, 21 de julho de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (21) dez brasileiros suspeitos de planejar um ataque terrorista durante os Jogos Olímpicos de 2016, que começam daqui a duas semanas, no Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara Federal de Curitiba, uma vez que um dos detidos, de 21 anos, mora nos arredores da capital. O governo e a PF não divulgaram os nomes dos investigados, as profissões ou para onde eles foram levados, alegando segredo de Justiça. Sabe-se apenas que o jovem paranaense se encontrava na Superintendência da PF na capital, no bairro Santa Cândida. No total, foram expedidos 12 mandados de prisão temporária (dois não cumpridos até o fechamento desta edição), em sete Estados, dois de condução coercitiva (para prestar depoimentos) e 20 de busca e apreensão.
Em entrevista coletiva, o juiz titular da 14ª Vara, Marcos Josegrei da Silva, afirmou que os envolvidos, com idades entre 20 e 40 anos, não tinham alvos definidos, mas tratavam o evento esportivo como uma "oportunidade" de atingir delegações de países membros da coalizão de combate ao terror no Oriente Médio.
Os suspeitos utilizavam codinomes de origem árabe e faziam parte de uma comunidade no Facebook chamada "Defensores da Sharia", onde postavam vídeos e textos "genéricos" de exaltação a atentados cometidos ao redor do mundo. Também teriam jurado lealdade e fidelidade ao Estado Islâmico (EI). Dois deles já responderam a acusações de homicídio e um terceiro encomendou um fuzil AK-47 numa loja clandestina no Paraguai. Silva negou, contudo, a versão do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, de que o jovem de 21 anos seria o líder do grupo, dizendo que somente é possível perceber a ação de "usuários mais ativos".
A operação começou em abril e foi batizada de Hashtag, em referência à forma como as pessoas se comunicavam, via redes sociais e aplicativos de mensagens. "Eu diria que o trabalho judicial teve dupla função: aprofundamento das investigações e, por outro lado, evitar qualquer resultado caso fosse tentado", relatou o magistrado. De acordo com ele, as prisões, todas temporárias, foram as primeiras baseadas na lei antiterrorismo, sancionada em março pela presidente afastada, Dilma Rousseff. Dois artigos da nova legislação basearam os pedidos: o 3º, relativo a promover, constituir, integrar ou prestar auxílio a organização terrorista; e o 5º, que é realizar atos preparatórios de terrorismo. "Pelas análises dos elementos de prova se concluiu que há possibilidade concreta de que indivíduos incidam num dos dois artigos."
Ainda conforme o juiz, as prisões têm validade de 30 dias, podendo ser prorrogadas por mais um mês. "Pode-se ainda pedir outra cautelar, converter em temporária ou, dependendo do que for levantado, aplicar outras medidas, como tornozeleira eletrônica e a proibição de se dirigir a determinados lugares." A retirada dos suspeitos do convívio social, segundo o magistrado, facilita a obtenção de provas e reduz a possibilidade de que venham a cometer crimes. Entretanto, Silva ponderou que nem tudo o que uma pessoa preconiza no "mundo virtual" se realiza, motivo pelo qual é necessário aprofundar as investigações. "Na verdade, hoje em dia o padrão de comportamento daqueles que se mostram simpáticos a esse tipo de causa é um tanto imprevisível. Em qualquer lugar é possível que surja alguém seduzido por imagens de internet, por um discurso radical ou até por uma estética de violência."


