PF prende dez por lavagem de dinheiro
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Dez pessoas, entre elas três empresários que seriam ligados ao grupo Su© ndown do Brasil conhecido nacionalmente pela comercialização de bicicletas e motos foram presas, ontem, pela Polícia Federal (PF). Oito prisões foram feitas em Curitiba, uma em São Paulo e uma em Porto Velho, Rondônia.
A operação batizada ''Pôr-do-Sol'' teve apoio da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF), que propôs a ação criminal. Eles foram presos com base em mandados de prisão temporária expedidos pela 2 Vara Criminal Federal de Curitiba são suspeitos de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Os nomes não foram divulgados.
Segundo informações da PF, além dos empresários, foram presos dois advogados, um doleiro, dois auditores da Receita Federal e um consultor financeiro ligado a uma grande instituição bancária americana, que opera no Brasil por meio de um escritório de representação.
Com um efetivo de 100 policiais federais de Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina e 50 servidores da Receita Federal, a operação resultou, ainda, no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão, em São Paulo, Porto Velho, Curitiba, São José dos Pinhais e Campina Grande do Sul.
O superintendente da PF no Paraná, Jaber Makul Hanna Saadi, disse que as investigações sobre o envolvimento do grupo Sundown em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional começaram a partir da suspeita de remessa ilegal de dinheiro para o exterior por meio das contas CC-5. Segundo ele, foram apurados, também, crimes de sonegação fiscal a partir do subfaturamento de importações. A fraude teria a facilitação de auditores da Receita Federal. Calcula-se em pelo menos R$ 150 milhões o passivo fiscal.
As acusações que pesam sobre as pessoas presas são, ainda, de formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, descaminho, falsidade ideológica, estelionato e falsificação de documento público, entre outras.
No final do ano passado, o MPF já havia oferecido denúncia contra 16 pessoas ligadas ao grupo Sundown sob a acusação de formação de quadrilha e evasão de divisas, por ter efetuado, entre 1996 e 1997, 95 remessas ilegais de dólares ao exterior através das famosas contas CC-5. O total de recursos enviados ilegalmente ao exterior, pelas seis empresas do grupo que participaram do esquema denunciado na ocasião passou de R$ 21,5 milhões, em valores da época.
De acordo com a Receita Federal, para tentar ocultar ou ''lavar'' os recursos, o grupo Sundown valia-se de diversas offshores uruguaias. Para estabelecer a ''blindagem patrimonial'', o grupo trazia de volta os valores como se fossem ''investimento estrangeiro'' em compras de bens e atividades empresariais.
A assessoria de imprensa da Brasil & Movimento, detentora das marcas Sundown Bikes, Sundown Motos e Sundown Fitness, informou que nenhum dos presos tem ligação com a empresa.(Com Agência Estado)


