PF prende acusados de desviar mercadorias
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sábado, 27 de abril de 2002
Alexandre Palmar Equipe da Folha 
Foz do IguaçuA Polícia Federal prendeu dez pessoas acusadas de envolvimento em esquema de desvio e revenda de mercadorias da Delegacia de Foz do Iguaçu do Ministério da Agricultura (MA). Entre os detidos está o chefe do MA na cidade. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, enviou ontem nota à PF comunicando que aplicará medidas disciplinares ao servidores.
A ação consistia em desviar amostras de frutas e verduras de carregamentos inspecionados na Estação Aduaneira do Interior (Eadi). Os produtos eram colocados em porta-mala de veículos oficiais, para depois serem repassados para um atravessador, que revendia a carga. As transações aconteciam a poucos metros do portão da Eadi, logo após o fim do expediente.
O esquema foi filmado durante um mês por agentes do Serviço de Operações Especiais. Em uma das filmagens, um fiscal aparece retirando seis caixas de frutas (uva, pera e maçã) de uma pick-up da Delegacia do MA e colocando-as num Monza, conduzido por um auxiliar de despachante. A investigação, iniciada depois de denúncia de um importador, rendeu 15 horas de filmagens.
A prisão, divulgada ontem, aconteceu na noite de sexta-feira. Foram presos o chefe da delegacia do ministério, Vital da Silva Filho, seis funcionários, três auxiliares de despachantes e um comerciante. Eles serão indiciados por peculato (apropriação indébita), prevaricação (faltar ao dever por má-fé), formação de quadrilha e receptação de produto ilícito. Também foram apreendidos cinco veículos.
O delegado-chefe da Polícia Federal em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, comentou que a irregularidade vem sendo praticada há muito tempo. Depoimentos apontam dois anos. Mesquita afirmou que o valor dos desvios será apurado em investigação conjunta com a Receita Federal. A gravidade não é tanto pela quantidade ou valor, mas sim pela conduta, avaliou.
Embora não apareça nas filmagens, o chefe da delegacia do ministério, Silva Filho, foi preso pois seria difícil a chefia desconhecer o esquema, justificou o delegado da PF.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, deve pedir o afastamento dos envolvidos. Segundo o delegado Mesquita, a maioria confirmou a prática ilícita.


