PF prende acusado de agenciar bolivianos para trabalho ilegal
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
Alexandre Palmar Equipe da Folha 
A Polícia Federal prendeu uma pessoa acusada de integrar um esquema de agenciamento de bolivianos para trabalhar em São Paulo. Os estrangeiros entravam clandestinamente em território nacional por Foz do Iguaçu, fronteira do Brasil com o Paraguai. O agenciador chegou a divulgar um anúncio numa rádio de La Paz, Bolívia, oferecendo emprego no ramo de confecção. A estratégia foi descoberta no final de semana.
Segundo a PF, grande número de bolivianos encontra-se na região sem documentação. Somente no sábado, nove foram detidos num ônibus que iria para São Paulo. Outros seis foram interceptados em dois táxis. Dia 29 de janeiro, cinco foram detidos na BR-277. Em dezembro, a PF deportou oito bolivianos. Ou seja, 28 homens e mulheres, com idade entre 20 e 30 anos, deportados.
Um senhor identificado como Willy foi acusado de colocar o anúncio na rádio boliviana. Lá, ele emprestava US$ 100 aos estrangeiros para custear a passagem. O dinheiro deveria ser devolvido com a remuneração que receberiam pelo serviço de corte e costura. Segundo a PF, o agenciamento era prestado para árabes e coreanos donos de fábricas têxtis. O negociador recebia de R$ 0,50 a R$ 1,00 por peça confeccionada.
O traslado era feito via Ciudad del Este, onde os estrangeiros conseguem facilmente visto provisório para permanecer no Paraguai. Mas os grupos cruzavam a Ponte da Amizade e embarcavam na rodoviária de Foz rumo a São Paulo. O acusado pagou fiança de R$ 63,00 para responder inquérito em liberdade. Ele perderá seu registro provisório.
Para o delegado da Polícia Federal, Davi Marakausky, responsável pelo inquérito do flagrante, essas pessoas estão vindo, de forma clandestina, para roubar o emprego de brasileiro. Eles trabalham por um salário menor, em condições subhumana.


