PF prende acusada de ser elo entre quadrilha que usava aviões da FAB para tráfico de drogas
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domingo, 25 de abril de 1999
Por Murilo Fiuza de melo 
Rio, 26 (AE) - A boliviana Mirtha Ibañes López, suspeita de ser o elo entre a quadrilha que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar cocaína para Europa com traficantes da Bolívia e da Colômbia, está presa desde sábado na sede da Polícia Federal (PF), no Rio. A prisão de Mirtha, que só foi divulgada hoje, deixa a PF a um passo de descobrir toda a mecânica de entrada da droga no Brasil. O nome da boliviana aparece em agendas apreendidas, na semana passada, no apartamento do americano John Michael White, apontado pela polícia como chefe do grupo. White também está detido na sede da PF do Rio.
A prisão do americano ocorreu depois da descoberta, no último dia 19, de duas malas com 32,9 quilos de cocaína, no avião Hércules C-130 da FAB. As malas foram apreendidas quando a aeronave fazia uma escala na Base Aérea do Recife, vinda do Rio de Janeiro. O destino final do vôo era a França, com escala em Las Palmas, capital das Ilhas Canárias, na Espanha, onde a droga seria desembarcada.
Por enquanto, Mirtha está presa por falsificação de documentos público. No apartamento dela, em Botafogo, os policiais encontraram uma identidade falsa com o nome de Marina López, que também aparece no cadastro de moradores do prédio onde ela morava. Em seu depoimento, a boliviana negou que tivesse qualquer ligação com a quadrilha liderada por White, de quem disse conhecer apenas "de vista". Ela afirmou ainda que chegou ao Rio há um mês e meio, vindo de Mato Grosso do Sul.
Os agentes, porém, decobriram indícios mais fortes entre Mirtha e a quadrilha da FAB. Segundo o delegado Marcelo Duval, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF, foram encontrados na casa da boliviana uma agenda na qual aparece os nomes de White, Roberto Monteiro Zau, um dos receptores da droga na Espanha, e do ex-policial civil Adilson Nunes, o Gina. Os dois continuam foragidos. Em poder da polícia há ainda fotos em que Mirtha aparece ao lado de Gina e White. "Não adianta nada ela dizer que não conhecia a quadrilha", afirmou o delegado.
A PF decobriu que boliviana era dona de uma boate em Puerto Soarez, a 400 quilômetros de Ponta Porã, cidade mato-grossense que também seria uma base do narcotráfico internacional. A boliviana responde ainda a processo judicial em seu país por tráfico de drogas, junto com a irmã Maria Eulália López. "Se houver um pedido de extradição por parte do governo boliviano, só será aceito depois que ela cumprir pena pelo crime que cometeu aqui", afimou Duval.
A PF procura também Luís Pereira, irmão do coronel-aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que embarcou as duas malas com a encomenda no Rio de Janeiro. O coronel, que está detido em uma base militar em Recife, disse em depoimento que seu irmão, que mora na Europa, seria o destinatário final da droga. O delegado da DRE vai pedir à juíza da 6ª Vara Federal, Ana Paula Vieira de Carvalho, a prisão de Luís Pereira. "Só assim, poderemos pedir ajuda à Interpol", afimou. Duval vai tentar ainda levantar todos os vôos da FAB para Espanha, via Ilhas Canárias, ocorridos nos últimos 12 meses.


