Cuiabá- Passam de 30 pessoas detidas ontem em cinco Estados pela Polícia Federal, durante a operação Dupla Face, acusadas de receber propinas e cometer fraudes para intermediar negociações no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Receita Federal para agilizar processos de certificação de imóveis rurais. Foram presos 18 servidores públicos e 16 despachantes suspeitos de participar do esquema.
Entre os detidos pela PF nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais está um procurador do Incra cuja identidade não foi revelada para não atrapalhar as investigações.
Segundo o delegado da PF, Luciano de Azevedo Salgado, os despachantes intermediavam negociações no Incra para agilizar processos de certificação de imóveis rurais. Em troca, os servidores públicos cobravam propina de até R$ 30 mil. ''A quadrilha dificultava o trâmite desses processos e o andamento só acontecia com o recebimento da propina'', disse ele.
De acordo com a PF, as investigações identificaram a existência de duas organizações criminosas distintas que agiam no Incra e na Receita Federal. No Incra, a quadrilha atuava em torno dos Processos de Certificação de Imóveis Rurais em trâmite naquele órgão. A quadrilha cooptava proprietários interessados em obter a certificação de suas propriedades rurais ou qualquer outra vantagem junto ao Incra, intermediando o pagamento de propina a servidores do órgão, segundo a PF.
O grupo que atuava na Receita Federal praticava crimes como fornecimento de dados sigilosos, cancelamento de créditos tributários, fraude e agilização de processos de restituição de imposto de renda.

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