Rio- Vinte e quatro fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do total de 87 servidores no Estado do Rio, foram presos ontem pela Polícia Federal durante a Operação Euterpe. Eles foram indiciados por uma série de crimes, entre eles a venda de pareceres técnicos forjados a construtoras, para que elas erguessem empreendimentos imobiliários em áreas de proteção ambiental. Sete empresários também foram capturados.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente do Ibama, Marcus Barros, foram ao Rio para se reunir com os 200 agentes da PF (do Rio, São Paulo e Minas) que participariam da ação. Ontem, os dois anunciaram as prisões - respaldadas por mandados expedidos pela Justiça Federal. Os fiscais atuavam em municípios onde é grande a especulação imobiliária para construção de condomínios e hotéis, como Angra dos Reis, no Litoral Sul Fluminense, Cabo Frio, na Região dos Lagos, e Niterói, no Grande Rio. E também na Baixada Fluminense, onde há extensas áreas verdes.
Os chefes dos escritórios do Ibama de Angra, Sergio Antônio Silva de Almeida, e de Cabo Frio, Alípio Villanova do Nascimento, estão na lista dos presos. Assim como o técnico Daniel de Oliveira Gomes, que trocou um laudo técnico favorável à construção de um condomínio por um apartamento no futuro empreendimento. Com ele, foi apreendido um carro do Ibama com processos relativos a licenciamento ambiental. Em sua casa, também havia processos.
Outro técnico, cujo nome não foi divulgado, foi filmado por uma câmera escondida negociando a venda de um parecer por R$ 6 mil. O documento permitiria a construção de um conjunto de imóveis em Cabo Frio. ''Alguns laudos chegaram a ser negociados por R$ 200 mil'', afirmou o delegado federal Alexandre Saraiva, que comandou a investigação. Em Itaipu, Niterói, o analista ambiental Hélio Ribeiro Santos teria facilitado a liberação de um terreno não edificável para um condomínio.
O delegado explicou que, além de vender laudos, os fiscais recebiam propina para permitir a pesca na época do defeso, quando os peixes e crustáceos se reproduzem, o que é proibido.
Agora, todos responderão por crime ambiental, corrupção ativa (no caso dos empresários), corrupção passiva (no caso dos servidores), violação de sigilo funcional e formação de quadrilha. Os funcionários serão exonerados e as construções irregulares, demolidas, disse a ministra. ''Estamos pondo freio em algo que é avassalador'', destacou Marina Silva.

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