PF prende 21 acusados de tráfico internacional
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Carolina Iskandarian<br>Agência Estado 
Rio- A Polícia Federal usou ontem 210 agentes de diversos Estados para prender 21 acusados de tráfico internacional de drogas. Do grupo fazem parte quatro empregados da empresa Sata, que transporta bagagens em aeroportos. Eles recebiam US$ 5 mil (cerca de R$ 15 mil) cada vez que levavam malas com cocaína aos aviões no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, sem passar pela esteira do raio x da fiscalização. Daí o nome da operação: Esteira Livre.
A quadrilha atuava havia pelo menos dez anos e embarcava por mês para o exterior até 60 quilos de cocaína pronta para o consumo. Os acusados podem ser condenados a 13 anos de cadeia. Eles seriam financiadores, articuladores e transportadores da droga, trazida do Paraguai, Colômbia e Bolívia e depois enviada do Rio para Portugal e Espanha. As remessas continham 20 quilos da droga e aconteciam três vezes por mês.
A Operação Esteira Livre começou por volta de 5 horas e contou com a participação de agentes do Rio, São Paulo, Espírito Santo, Minas e Brasília. A Justiça Federal expediu 28 mandados de prisão. Das pessoas detidas ontem, só uma não estava no Rio (ver matéria ao lado). Outro alvo da operação, cujo nome não foi divulgado, já tinha sido preso anteriormente em Campinas e seis ainda estão sendo procurados.
Apesar de a investigação ser nacional, o Rio concentrou a maior parte do trabalho. O envolvimento de funcionários da Sata - Waltair Julião Tostes, Luiz Arouca Marques, Marco de Almeida Dalate e Willians Santos da Silva - foi revelado graças a interceptações telefônicas e ao trabalho de inteligência da PF. A polícia tem indícios de que o mesmo esquema era utilizado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, que também está sendo investigado.
A PF disse não ter encontrado indícios da participação de diretores da Sata no esquema. Em nota oficial, ela informou que ''realiza um cuidadoso processo de seleção de seus colaboradores, que passam constantemente por treinamentos, e sempre tomará as medidas cabíveis para afastar qualquer funcionário envolvido em atos ilícitos''.
As prisões de ontem aconteceram em São João de Meriti, Cabo Frio, Araruama e em bairros nobres do Rio, como Copacabana, Lagoa, São Conrado e Barra da Tijuca. ''As pessoas presas fogem do padrão do traficante nos morros e, à primeira vista, não despertariam suspeita'', disse o delegado Hebert Reis Mesquita, coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da PF de Brasília.
Um dos presos é John White Junior, que estava em casa, na Barra da Tijuca, cuja família tem um histórico no tráfico. Ele é filho do empresário John Michael White, preso em 1999 sob acusação de chefiar uma quadrilha do tráfico. Em fevereiro de 2003, foi a vez de Sônia Helena Soares Melo White, mãe de White Junior, ser presa em Lisboa, com 32 quilos de cocaína.
O delegado disse que as investigações começaram no final de 2002, quando a polícia monitorava os passos de Sônia Helena.


