Curitiba- O norte-americano James Todd Burch, 33 anos, preso na última terça-feira em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) por suspeita de participação em um esquema de tráfico internacional de crianças, está com o visto vencido desde 3 de março. Nesta data, ele teve um pedido de permanência no Brasil negado pelo governo federal. Burch era casado com uma brasileira e se divorciou - por isso a renovação do visto foi recusada. As informações são da Polícia Federal (PF).
Ontem, as investigações sobre o suposto esquema de tráfico de crianças foram reforçadas por dois depoimentos importantes. A mãe do menino que Burch enviou para os Estados Unidos em 2003 e que hoje teria quatro anos, identificada como Rita (os advogados não quiseram informar o sobrenome), foi à Superintendência da PF em Curitiba e manifestou que deseja reaver a criança.
''Burch e Rita tiveram um caso. Oito meses depois deles se conhecerem, ela teve um filho. O norte-americano registrou o menino como filho dele. Algum tempo depois, Burch desconfiou. Foi feito um exame de DNA, que apontou que a criança não era filho dele. Cerca de um ano depois disso (em 2003), Burch e Rita decidiram enviar a criança para o Alabama, para morar com uma irmã do norte-americano chamada Pamela. O combinado era que Burch e Rita iriam para os Estados Unidos pouco depois, mas isso não aconteceu'', disse José Feldhaus, um dos advogados de Rita.
Ele informou que Rita manteve contato com o filho nos últimos anos, mas apenas por e-mail e telefone. ''Agora ela quer tê-lo de volta, pois viu que Burch é suspeito de tráfico de crianças. Rita desconfia que o que foi dito a ela pode não ser a verdade, que esta Pamela não seria irmã do norte-americano'', afirmou Feldhaus.
Pouco antes do depoimento de Rita, a diarista Silvana (o sobrenome não foi informado) também prestou informações na PF. Ela é a mãe de duas meninas - uma de um ano e outra de dois anos - que foram encontradas anteontem numa casa no bairro Centenário, em Curitiba, com um homem e uma mulher que não tinham a guarda delas. Há suspeita de que os dois poderiam fazer parte do esquema de tráfico de crianças, pois Burch frequentava a casa deles.
Entretanto, Silvana negou que conheça o norte-americano e disse que deixou as duas meninas na residência do casal porque não tinha como sustentá-las. ''Ela (a mulher que mora na casa no Centenário) é minha comadre'', disse a diarista, que, assustada e chorando muito, falou pouco com a imprensa.
Segundo a PF, Silvana confirmou que conhece a babá que estava cuidando de um bebê de três meses que foi encontrado com Burch quando ele foi preso. A criança seria vendida para uma família dos Estados Unidos. Silvana conhece a babá porque esta já havia trabalhado na casa onde a diarista deixou as filhas.
A mãe do bebê de três meses foi presa anteontem. De acordo com a PF, ela teria concordado em vender o filho. O bebê está na Casa de Apoio à Família de Colombo, mesmo local para onde foram levadas as filhas de Silvana. A PF segue com as investigações. Desde quarta-feira, um representante da Embaixada dos Estados Unidos está em Curitiba acompanhando o desenvolvimento do inquérito.

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