PF ouve ex-secretário e ex-presidente do IAP
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de julho de 2010
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Federal deve chamar nos próximos dias o ex-secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, e o ex-presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko, para prestar depoimento dentro das investigações da Operação São Francisco.
Na ação, deflagrada na quarta-feira no Paraná, em São Paulo e Santa Catarina, foram presas 35 pessoas por participação no maior esquema de tráfico internacional de animais silvestres do Brasil. Além disso, mais de 10 mil pássaros silvestres foram apreendidos na operação.
Extra-oficialmente, surgiu a informação de que Rasca e Burko, quando estavam na administração estadual, teriam interferido para que uma multa de aproximadamente R$ 200 mil aplicada em 2009 a Márcio Rodrigues, preso na operação, fosse arquivada. Rodrigues havia recebido a autuação por posse de animais exóticos sem a documentação adequada. Segundo a PF, ele era o coordenador do principal núcleo da quadrilha, localizado em São José dos Pinhais (região de Curitiba).
Em telefonemas gravados pela PF durante a investigação, um funcionário do Tribunal de Contas (TC), também preso na quarta-feira, teria dito que Rasca e Burko intercederiam pelo arquivamento. Caso o envolvimento de ambos seja comprovado, eles podem ser indiciados.
Ontem, Rasca negou participação no esquema e comentou que não acredita que os funcionários do IAP presos na operação tenham envolvimento com a quadrilha. ''O único contato que tive com esse pessoal (do esquema) foi no ano passado, quando eles pediram orientação para se defenderem da multa, que achavam errada. Eu apenas lhes disse que procurassem se informar na Polícia Ambiental, que havia aplicado a multa. Depois, nunca mais os vi'', afirmou Rasca.
Burko também negou participação em qualquer irregularidade e defendeu os funcionários do IAP presos na operação. ''Eu vi o processo e não há nenhum elemento concreto (contra Burko e os funcionários). É uma brincadeira de mau gosto o que está acontecendo. Estão destruindo a imagem de pessoas honestas'', disse o ex-presidente do IAP. Burko citou que a multa mencionada não foi arquivada e que o processo ainda está em andamento.


