Uma equipe da Polícia Federal ouvirá hoje, em Guarapuava, depoimentos de pessoas envolvidas em denúncia de desvio de dinheiro na Cooperativa de Trabalhadores Rurais do Centro-Oeste do Paraná (Coagri), situada em Bituruna (76 quilômetros a oeste de União da Vitória), e em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Estado. Os policiais pretendem, nos próximos 15 dias, ouvir 600 pessoas, entre sem-terra e comerciantes. O inquérito deve ser concluído até o final de novembro.
De acordo com o delegado-regional da Polícia Federal no Paraná, Luiz Melzer, os policiais que apuram o caso vão estabelecer a sede das investigações em
Guarapuava. ‘‘É porque nesta cidade está aforada a ação que pediu a investigação sobre possíveis desvios’’, afirmou. Ontem, a Folha procurou a coordenação do movimento e também da cooperativa de Bituruna, mas ninguém quis se pronunciar.
Para tomar depoimentos dos sem-terra, os policiais deverão ir aos assentamentos e também à sede da Coagri. ‘‘Eles também irão onde estiverem os comerciantes que pagaram à coordenação do movimento para conseguir vender implementos agrícolas’’, afirmou Melzer.
Um delegado da PF em São Paulo, da Divisão Contra o Crime Organizado e Inquérito Especiais (Decoie), está presidindo o inquérito criminal. O policial paulista já ouviu funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Também depuseram funcionários ligados ao setor bancário, que repassa esses recursos.
Agora, as investigações pretendem esclarecer como acontecia a suposta cobrança da taxa pela Coagri, em Bituruna, e também de alguns assentamentos. Na sindicância interna do Incra, na qual a Advocacia Geral da União (AGU) se baseou para a abertura de processo, em 13 Estados, contra o MST, pelo menos 20 agricultores teriam admitido que houve cobrança de 3% no repasse do dinheiro. Somente a Coagri recebeu R$ 15,8 milhões em recursos federais.
Peritos da PF deverão avaliar os livros-caixas da cooperativa. Com base nessas relações comerciais, lojistas de implementos agrícolas serão chamados para depor. Há a acusação de que eles pagavam 20% de taxa. Em contrapartida, os produtos seriam mais caros.