Uma equipe da Polícia Federal e da Funai (Fundação Nacional do Índio) armou ontem um acampamento às margens do rio Citoré, na tentativa de encontrar vestígios de um suposto conflito no qual teriam morrido 11 garimpeiros e dois índios, na terça-feira passada, na reserva indígena do Tumucumaque, no Pará, divisa com o Amapá. A decisão de acampar foi tomada depois do fracasso de investigações feitas na manhã de ontem por uma equipe que sobrevoou a região com um helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira). Até as 19 horas de ontem, nenhum corpo ou vestígio do conflito foi identificado pela PF.
A região é de difícil acesso. As águas do rio estão baixas e a navegação é impossível. A solução encontrada pela PF foi explorar a região com longas caminhadas. A equipe de policiais é guiada por um índio da etnia apalai, que mora na região. O grupo da PF deve dormir no local e voltar hoje para a Missão Tirió, onde a PF e a Funai montaram uma base para coordenar as investigações.
O superintendente da PF no Amapá, Dirceu Silva, disse que o único indício da ocorrência do conflito é o depoimento do índio Aldo Cuxá Apalay, que afirma ter visto dois garimpeiros que teriam sobrevivido ao conflito. Apesar da importância do depoimento de Aldo Apalay, somente ontem a PF resolveu priorizar a localização do índio.
O administrador regional da Funai no Amapá, José Amaro Lopes, disse que o contato com Aldo Apalay tem sido dificultado porque ele está com medo de sofrer represálias de garimpeiros supostamente envolvidos no conflito. O clima de medo pode ser sentido também entre os cerca de 800 índios que vivem na reserva do Tumucumaque na área próxima do suposto conflito. Segundo a PF, eles têm evitado caçar e pescar na região.
A PF trabalha com a hipótese de que os garimpeiros tenham sido atacados pelos próprio índios da reserva ou índio arredios. A região é considerada como uma espécie de ‘‘fronteira morta’’, devido à alta concentração de florestas e a baixa densidade populacional. A antropóloga Dominique Valois, que atua na região há pelo menos 15 anos, descartou a possibilidade de existirem índios arredios na região. Ela disse também que os índios só atacam quando são provocados.
Xingu O adolescente Leandro Gutjhar dos Santos, 15 anos, solto anteontem depois de permanecer seis dias como refém de índios do Parque Indígena do Xingu, disse ontem, por telefone, que todos os reféns foram agredidos no último domingo com bofetões e pauladas. Os índios libertaram, além de Leandro Santos, o adolescente Fábio Dotto Dalmaso, 17 anos. Seis pescadores continuavam ontem como reféns dos índios. O coordenador de comunicação da Funai em Brasília, Roberto Lustosa, disse que o quadro ‘‘é preocupante’’. Os índios, das etnias caiabi, suiá e juruna, exigem a presença na aldeia Diauarum, onde estão os reféns, do presidente da Funai, Sulivan Silvestre, que alegou estar impossibilitado e enviou ao local uma equipe anteontem.

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