Rio Branco, 21 (AE) - O superintendente da Polícia Federal no Acre, Glorivan Bernardes, admitiu hoje ser possível a ligação de algum integrante da quadrilha do deputado cassado Hildebrando Pascoal como o maior atacadista de pasta de cocaína do mundo, a família peruana Cashique Rivera. "Não dá para descartar essa possibilidade", disse Bernardes. Rivera, segundo a PF e a Secretaria Nacional Anti-Droga (Senad) é o maior distribuidor de drogas do Brasil e do mundo.
A PF investiga se o peruano Oter Belarmino Rivera, preso sábado (20), com 24 quilos de pasta de coca é parente de Cashique Rivera. Belarmino foi surpreendido pela PF quando tentava passar a droga para os irmãos Francisco e José Maria do Vale, em Rodrigues Alves, a 400 quilômetros de Rio Branco. A droga seguiria para a capital acreana e integraria uma carga maior destinada aos Estados do RJ ou São Paulo.
Comprovado o parentesco com Cashique Rivera, Belarmino e os Vales terão sido o segundo grupo de traficantes da família presa no Brasil. O primeiro foi surpreendido há dois meses com 124 quilos de pasta de coca numa pista clandestina da Fazenda Califórnia em Feijó, a 300 quilômetros de Rio Branco. Cinco homens foram presos, usando avião que disseram pertencer a uma empresa de taxi aéreo de Tupã, em São Paulo.
Fazenda - A PF ainda não tem como confirmar se a Fazenda Amoty, de Hildebrando era uma das rotas do pó no Estado. Duas testemunhas da CPI do Narcotráfico, uma de codinome João, disse ter visto aviões lançarem embalagens com drogas no pasto da fazenda. A propriedade é um dos bens de Hildebrando que poderão ser tomados pela União, mas não para fins de reforma agraria, já que não há confirmação de que produzia entorpecentes.
Outra testemunha da CPI, Carlos Bayma, disse que pelo menos um suspeito de integrar o grupo do ex-deputado teria algum tipo de ligação com o Comando Vermelho (CV), organização criminosa sediada no Rio de Janeiro. Delegado da Polícia Civil, Bayma afirmou que o agente José Eloi da Silva é ligado ao assaltante Marcos Cirilo (o Negão Cirilo), que se declarou emissário do CV no Acre. Eloi foi preso acusado de assalta a mando do ex-deputado.
Tanto as polícia como os procuradores e promotores ainda não chegaram a uma conclusão sobre as denúncias de ligação de cartéis estrangeiros ou organizações criminosas de outros Estado com o grupo de Hildebrando. "As provas nesse caso são testemunhais", disse Sérgio Medeiros, procurador da República.
Organização Segundo o organograma desenhado pelo MPF a organização tinha seu comando centralizado em Hildebrando, com três outros escalões hierárquicos, cada um com uma função não necessariamente específica. No segundo escalão encontravam-se as pessoas de confiança do chefe, encarregados de atividades variadas. O terceiro era o braço armado que promovia a execução dos que seriam contra o grupo. No quarto estavam os varejistas "mulas" e "aviões", encarregados do transporte da droga.

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