PF não apóia estratégia do MPF sobre Lopes
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Eliane Azevedo e Beatriz Coelho Silva 
Rio, 29 (AE) - A Polícia Federal não apóia a estratégia do Ministério Público Federal de ouvir novamente o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes na condição de testemunha - numa tentativa de acordo para que ele, sem se auto-incriminar, dê mais informações. Uma fonte que participa das investigações apontou que há indícios contra o economista e não interessa, nessa fase do inquérito, excluí-lo das suspeitas ou negociar o depoimento.
"A polícia vive num mundo de provas e não num mundo de acordos", afirmou esta fonte. Há uma corrente nas investigações que defende a idéia de que é mais importante, agora, analisar e periciar os documentos do que reinquirir pessoas e mesmo marcar novos depoimentos - embora haja uma lista de cerca de 20 pessoas para serem ouvidas, entre elas a diretora do Banco Marka, Cíntia Moura e os irmãos Sérgio e Luiz Augusto Bragança.
Para os defensores dessa linha de investigação, a PF deve centrar fogo na obtenção de provas: sem cartas na manga, pouco adianta, segundo o raciocínio desses policiais, pegar depoimentos de pessoas que vão se limitar a negar as acusações. "Houve muita farofa, muita espuma, mas temos de ver o que realmente está nas nossas mãos", afirmou a fonte. "A análise dos documentos é que vai fazer a investigação avançar."
Segundo informações da PF do Rio, o delegado Luiz Pontel, que preside o inquérito, vai permanecer em Brasília até o início da próxima semana, mas o inquérito volta hoje para o Rio, para as mãos do delegado Deuler Borges, do Delecoi carioca, que também trabalha no processo. Os disquetes recolhidos na operação da PF ficarão em Brasília, onde estão sendo examinados por peritos do Instituto Nacional de Criminalística e o laudo sobre eles deve demorar, no mínimo, dez dias.


