PF mostra prova contra milícia rural
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quarta-feira, 06 de abril de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, divulgou ontem, uma das provas apreendidas na casa de um dos suspeitos de participação em milícias armadas para atuar contra ocupações promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Uma lista com quatro nomes e valores supostamente pagos por fazendeiros pelo trabalho de segurança armada ao Sindicato Rural de Ponta Grossa, totalizando R$ 1.295,00, segundo a PF, teria sido encontrada na casa do policial militar da reserva, José Valdomiro Maciel, preso anteontem na operação batizada de ''Março Branco'', junto a outras sete pessoas.
Segundo a assessoria de imprensa da PF, Maciel seria ''braço direito'' do tenente-coronel Valdir Coppeti Neves, também preso sob acusação de chefiar as supostas milícias. Ainda de acordo com a PF, a assinatura que consta da lista de nomes seria de Neves, pois seria idêntica à colhida no auto de prisão. O Sindicato Rural de Ponta Grossa já havia negado o envolvimento em contratação de milícias armadas.
O advogado de defesa de Neves, Cláudio Dalledone, formalizou, ontem, a entrega das armas encontradas na casa de Neves, invocando a ''anistia branca''. A Medida Provisória 229 (Estatuto do Desarmamento), lembrou o advogado, deu prazo até 23 de junho deste ano para quem detivesse armas, lícitas ou não, em casa, para entregarem ou regularizarem a situação. A estratégia de Dalledone é desqualificar a prisão em flagrante por suposto tráfico internacional de armas.
No entanto, Neves também teve prisão preventiva decretada pela Justiça Federal de Ponta Grossa e está detido em uma unidade da Polícia Militar (PM) junto com os PMs da reserva Ricardo José Derbes, José Valdomiro Maciel e Nereu Paschoal Moreira. Continuam presos na PF, o também militar da reserva João Della Torres Neto, o ex-PM Adair João Sbardella e os sem-terra Silvana Araújo de Almeida e Carlos Ney Ferreira.
Neves ficou em silêncio durante o interrogatório na PF anteontem. Segundo Dalledone, o tenente-coronel só deverá se manifestar depois que a defesa tiver acesso às provas colhidas contra ele.


