PF mata ''cigarreiro'' em Foz
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de março de 1999
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
O cigarreiro Genessi da Silva, 19 anos, morreu na tarde de ontem com um tiro na cabeça em um confronto entre agentes da Polícia Federal (PF) e um grupo de 16 homens que desembarcava cigarros contrabandeados do Paraguai, no Porto Belo, em Foz do Iguaçu.
O tiroteio ocorreu por volta das 15 horas e foi testemunhado por pescadores que estavam no local. Seis cigarreiros foram presos e dez fugiram. Segundo o advogado Luís Eduardo da Silva, contratado por um dos detidos, Silva teria sido atingido na nuca, por um dos agentes da PF. O Instituto Médico Legal deve divulgar o laudo sobre a morte amanhã.
Genessi da Silva era o motorista de uma das três Kombis que estavam no Porto Belo para receber cerca de 50 caixas de pacotes de cigarro trazidos por um barco de Porto Franco, cidade paraguaia que faz fronteira com Foz do Iguaçu. A vítima tinha passagem pela polícia. No ano passado, cumpriu três meses de detenção por contrabando. A PF não divulgou o nome dos cigarreiros detidos, mas a Folha apurou que pelo menos um menor faz parte da relação.
As testemunhas informaram que os agentes agiram de surpresa descendo um matagal em terreno íngreme, às margens do Rio Paraná. Enquanto desciam, dispararam contra o grupo que também revidaram com tiros. Parte do grupo fugiu desaparecendo no matagal.
De acordo com Airton Vicente, delegado-chefe da PF em Foz do Iguaçu, o fato está confuso e ainda é cedo para responsabilizar os policiais pela morte do cigarreiro. O delegado informou que será aberto um inquérito e uma sindicância interna para apurar o episódio. Se houve excesso, haverá punição, garantiu.
Nos últimos meses, a PF vem combatendo com mais rigor o contrabando de cigarros. A maioria absoluta do produto aprendido é fabricado no Brasil e exportado para o Paraguai. A comercialização deste produto é proibida no mercado brasileiro.
Sem conseguir usar a Ponte da Amizade (que liga Foz a Ciudad del Este, no Paraguai) como rota de passagem, os contrabandistas estão usando a água para atravessar a fronteira com mais segurança.


