A Polícia Federal não divulgou ontem os retratos falados dos cinco homens que sequestraram o Boeing 737-200 da Vasp na tarde da última quarta-feira. Eles foram feitos com auxílio dos seis tripulantes que prestaram depoimento ontem, em Curitiba. O delegado Luiz Melzer, superintendente interino da PF no Estado, disse que os retratos serão confrontados primeiro com os já feitos em Londrina e que também não foram ainda divulgados. ‘‘Só depois teremos condições de divulgá-los’’, alegou, sem precisar quando.
O delegado acrescentou que será preciso comparar os retratos obtidos nas duas cidades para preservar a fidelidade das descrições físicas dos criminosos. Ele determinou sigilo total nas investigações. Os seis tripulantes foram orientados a não dar declarações à imprensa. Uma comissária de vôo chegou a ser protegida por Melzer para evitar conversas com os jornalistas.
Questionada sobre as informações que daria à polícia, a comissária disse apenas: ‘‘Vou falar o que eu vi’’. Em seguida, o próprio superintendente impediu mais perguntas ao conduzí-la pessoalmente até a superintendência para falar sobre o sequestro do vôo 280, que fazia a rota Foz do Iguaçu-Curitiba.
O comadante da aeronave, Sérgio Carmo dos Santos, foi o primeiro a entrar na delegacia por volta das 16 horas, cerca de 20 minutos depois da chegada dos tripulantes para depor. Ele também não respondeu a nenhuma pergunta. Um homem que se identificou como advogado da Vasp disse que ninguém daria declarações, pois ‘‘todos ainda estão muito nervosos’’. Para driblar os jornalistas, a van que trouxe os tripulantes estacionou num prédio da PF que fica a cerca de 30 metros da superintendência.
Até às 19 horas, não haviam sido concluídos os depoimentos do piloto Santos, do co-piloto Mauro Bittencourt Barge e dos comissários de bordo Ariovaldo Virgílio Pereira, Cristina da Cruz Silva, Márica Valéria Vieira Campos e Vitória Regina Andrade Simas. ‘‘Tomara que os depoimentos entrem a madrugada’’, disse Melzer aos jornalistas.

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