PF mantém a investigação sob sigilo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 1998
Adriana Ribeiro 
A Polícia Federal instaurou ontem o inquérito que vai investigar a autoria e responsabilidade pelas bombas colocadas em duas torres de Furnas que transmitem energia elétrica de Itaipu. Apenas uma delas foi detonada, na madrugada de domingo, destruindo um dos equipamentos. Para não atrapalhar as investigações, o superintendente da PF no Paraná, Glicério Ferrari, proibiu qualquer informação.
Ontem, ao meio dia, chegou a Curitiba o material coletado no local pela equipe da PF formada por seis especialistas em explosivos, inclusive a bomba não detonada, localizada a 50 metros da torre que caiu. Tudo será avaliado num laboratório, cujo nome está sendo mantido em sigilo. A PF tem trinta dias para concluir o inquérito, com possibilidade de prorrogação.
O instrutor de explosivos Aggeu Lemos Bezerra, que coordenou a equipe de especialistas da PF, disse ontem que os indícios coletados na torre que explodiu se assemelham aos encontrados no artefato neutralizado na segunda-feira. Isso leva a crer que as duas bombas foram colocadas pela mesma pessoa. Segundo o especialista, a bomba desativada mostra que o autor tinha conhecimentos sobre explosivos.
A bomba encontrada na segunda torre era formada por emulsão - uma mistura de substâncias químicas - e um cordel detonante, material explosivo confinado em forma de cordão. Ao todo, o peso líquido do material é de oito quilos, capaz de derrubar a torre que possui dez toneladas. A compra desse material só pode ser feita por pessoas cadastradas no Ministério do Exército.
Bezerra disse que a PF ainda não sabe por que a segunda bomba não explodiu. Ela trabalha com duas suspeitas, a primeira de falha no mecanismo, e a segunda de que o explosivo estava programado para ser detonado em outro momento.Kraw PenasInquéritoDa esq. p/ a dir.: Glicério Ferrari, superintendente da PF-PR, e Ageu Lemos Bezerra, instrutor de explosivos
A Polícia Federal instaurou ontem o inquérito que investiga o atentado à bomba que destruiu uma torre de Furnas na madrugada de domingo


