obtido numa longa negociação com os proprietários da fazenda, durante a operação. Os depoimentos dos trabalhadores reforçam denúncias da prática de trabalho escravo em Mato Grosso e no Pará recebidas pela Comissão da Pastoral da Terra (CPT) e pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT). "Eles conviviam em meio a ratos, baratas e cobras numa condição degradante, quem não tinha colchão dormia no chão", informou Claúdia Márcia Brito, coordenadora da equipe de fiscalização móvel do Ministério do Trabalho. Os trabalhadores, entre eles César de Oliveira Rondon, Cícero Antônio da Silva e Rodrigo Sacramento da Silva, disseram que pagavam R$ 3,00 pelo "café, almoço e jantar". Porém, a comida, na maioria da vezes, estava estragada. Eles comiam assim mesmo. Agora, deverá ser traçada uma estratégia de ação conjunta entre a PF, o Ministério Público e os Ministérios do Trabalho e da Justiça para intensificar a fiscalização em fazendas em Mato Grosso. Fuga - Segundo Cláudia Brito, os trabalhadores teriam sido recrutados pelo "gato" - o agenciador conhecido apenas como Zezão, que não foi encontrado no local. As investigações começaram com a denúncia feita por 15 trabalhadores que fugiram da fazenda em fevereiro, por causa das condições a que eram submetidos. O responsável pelas atividades de "limpeza de algodão" seria Francisco Alves do Carmo, proprietário da Empreiteira Alves, contratada pelo Grupo Maeda, que terceirizou o serviço. "A gente não tem preocupação em ir atrás da empreiteira; toda a responsabilidade é dos donos da propriedade", disse Claúdia. Há um mês o trabalhador rural Romildo Pereira Pinto denunciou ao Ministério da Justiça a prática de trabalho escravo na Fazenda Inajá, no município de São José do Xingu, norte do Estado. Segundo ele, cerca de 30 homens também foram forçados, sob ameaças e agressões físicas, a instalar cercas, entre outras tarefas, sem receber salário. A PF abriu inquérito. Sistema - No processo de escravidão adotado em Mato Grosso e Pará, dois elementos são utilizados: o endividamento dos peões, impedido-os de sair da propriedade até que paguem as contas, e a proibição de sair da área mediante ameaça de morte. Grupos de pistoleiros vigiam permanentemente a área onde eles trabalham sob a mira das armas. Os trabalhadores contaram que trabalhavam de segunda a domingo, das 5 às 16 horas, sem direito a folga nem horas extras. A reportagem tentou ouvir representantes do Grupo Maeda, mas não obteve resposta.Por Nelson Francisco, especial para a ae Diamantino, MT, 02 (AE) - A Polícia Federal e fiscais do Ministério do Trabalho libertaram hoje 135 trabalhadores rurais que eram mantidos em regime de escravidão na Fazenda Guapirama, em Diamantino, 170 quilômetros ao norte de Cuiabá. Areportagem acompanhou a operação, feita por oito policiais federais de Brasília e seis fiscais do Ministério do Trabalho. A ação durou três dias, em meio a muita chuva, o que acabou comprometendo o material fotográfico, e trajetos difíceis por estradas esburacadas. Havia também ameaças de represália - toda a equipe e o repórter usaram colete à prova de bala. Os trabalhadores contaram que foram forçados, sob ameaças e agressões, a trabalhar por dois meses sem receber salário e em condições degradantes. Foi a maior operação já feita pelo Ministério do Trabalho e pela PF nos últimos cinco anos. Na região, pelo menos oito fazendas estão sendo investigadas pelo uso de trabalho escravo. Foram necessários quatro ônibus para levar os trabalhadores às suas cidades de origem, no interior do Estado. Eles tinham sido recrutados nas cidades de Poconé, Juscimeira e Cuiabá para trabalharem na fazenda e executarem serviços de "limpeza de algodão", com a promessa de salário, alimentação e hospedagem. Todos foram libertados após o pagamento dos direitos trabalhistas pelo serviço prestado durante dois meses na fazenda

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