PF lança campanha de valorização
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de novembro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Para convencer o Ministério da Justiça a ceder nas negociações e atender as reivindicações de policiais e servidores administrativos da Polícia Federal (PF), a categoria lançou, ontem, a Campanha Nacional de Valorização da Polícia Federal. A idéia é chamar a atenção das autoridades e da população para as operações de sucesso realizadas pela PF e, com isso, sensibilizar o governo.
Na pauta de negociações, as principais reivindicações são reajuste salarial, aumento no valor das diárias de viagem, plano de saúde e melhores condições de trabalho.
Segundo o delegado Hugo Corrêa Martins, representante da Associação Nacional dos Delegados da PF (ADPF) e coordenador da campanha no Paraná, a diária de viagem é de R$ 120,00, insuficiente para despesas de hotel e refeições. ''Nosso salário está muito defasado. Nos últimos dez anos tivemos reajuste de apenas 17% contra uma inflação de 130% no período'', diz.
O salário líquido de um agente federal é de R$ 3,9 mil e do delegado federal de R$ 5,9 mil, podendo chegar a até 30% a mais no decorrer da carreira com os adicionais de função e gratificações.
Também fazem parte da lista de reivindicação a reposição de armas, atualização dos meios de comunicação usados nas operações e contratação de mais policiais. ''Quando várias equipes trabalham em uma operação, às vezes os policiais têm que usar os celulares pessoais'', diz.
Entre as principais operações realizadas pela PF este ano no PR, destacam-se a Operação Março Branco, que resultou na prisão de mais de dez pessoas, entre elas o tenente-coronel Valdir Copetti Neves e ex-policiais militares. Eles eram acusados por formação de quadrilha e de milícia com objetivo de patrulhar fazendas e realizar desocupação de imediata nos casos de invasão pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O delegado Martins ressaltou, ainda, que além das ações deflagradas, a PF é também a única instituição que se auto-investiga. ''No Rio de Janeiro, por exemplo, houve furto de cocaína de dentro da PF, e foi feita investigação para saber quem pegou. Não conheço nenhuma outra instituição que faça isso'', ressaltou.


