A Polícia Federal optou por grampear -em vez de simplesmente apreender- o telefone celular do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, porque os interrogatórios e o depoimento dele à CPI do Narcotráfico foram ‘‘improdutivos’’, segundo o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho.
Anteontem, o ‘‘Jornal Nacional’’, da Rede Globo, informou que, da cela onde está preso, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Beira-Mar mantinha contatos pelo celular com integrantes de sua quadrilha, detidos na sede da Divisão Anti-Sequestro da Polícia do Rio de Janeiro.
O diretor-geral da PF não quis revelar quando se iniciou a escuta telefônica, mas ressalvou que foi efetuada de maneira legal. Segundo ele, o plano foi montado a partir do momento em que se tomou conhecimento da existência de um celular na cela de Beira-Mar. Monteiro Filho disse que a PF solicitou -e obteve, de acordo com o delegado- autorização judicial para realizar o procedimento.
O diretor afirmou que relatórios do monitoramento das conversas eram encaminhados periodicamente à Justiça. O Ministério Público também foi informado. ‘‘A Polícia Federal agiu profissionalmente e dentro da lei. Não foi um trabalho clandestino’’, declarou.
Ele não revelou o teor das informações extraídas da escuta, embora o ‘‘Jornal Nacional’’ tenha reproduzido trechos de conversas gravadas nas quais os interlocutores -supostamente Beira-Mar e integrantes de sua quadrilha-combinavam os termos de depoimentos à Justiça e discutiam negócios relacionados a drogas.
O diretor-geral da PF lamentou que a investigação tenha sido revelada, o que inviabilizou a continuidade do emprego do método. Segundo ele, o celular de Beira-Mar já foi apreendido.

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