Rio, 03 (AE) - A Polícia Federal (PF) vai investigar a denúncia de que foi uma farsa a carta em que a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) teria pedido ao Banco Central (BC) que ajudasse instituições em dificuldades na crise de desvalorização do real de janeiro. Os policiais federais esperam que a investigação sobre supostas irregularidades na ajuda aos Bbancos Marka e FonteCindam seja transferida para o Rio esta semana para decidir como apurarão a possível montagem que teria justificado posteriormente a ação do BC.
Uma fonte com acesso às investigações disse que é preciso não esquecer que, além da questão criminal, há aspectos administrativos e cíveis a ser esclarecidos no caso. Os funcionários que foram os possíveis autores encobertos da carta poderiam, em tese, ser responsabilizados naquelas esferas pelos prejuízos que presumivelmente causaram, até para efeitos indenizatórios. Segundo essa linha, os servidores que supostamente ajudaram a elaborar o documento teriam de se explicar à PF.
Se decidir abrir o novo inquérito - um "inquérito-filhote", na gíria da PF - apenas para investigar a carta, a PF o faria provavelmente em São Paulo, onde fica a sede da BM&F. Seria a segunda investigação policial sobre o BC e a atuação dele na desvalorização. No caso de os delegados acharem que as apurações sobre a origem do documento estão indissoluvelmente ligadas ao inquérito original, a respeito de suposto tráfico de informações sobre a desvalorização, as investigações sobre o documento serão feitas nele.
O delegado que preside o inquérito já aberto, Luiz Pontel, deve voltar de Brasília para o Rio até quarta-feira (05). Ele vai então decidir a forma como as investigações vão ser feitas, quem vai ser inquirido e que perícias e diligências vai fazer. É possível que também marque a data do novo depoimento do ex-presidente do BC Francisco Lopes, que será ouvido como testemunha. Até agora, ressaltam policiais e procuradores que investigam o caso, nada há no inquérito que o incrimine.

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