Roberto Samora
Agência Folha
A delegada Sidnéia Tobias, que preside o inquérito do assassinato da prefeita de Mundo Novo (MS), Dorcelina de Oliveira Folador (PT), reuniu-se ontem com os delegados da Polícia Federal enviados pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, à cidade. O objetivo é traçar metas e organizar a atuação dos mais de 30 policiais envolvidos no caso. Segundo a delegada, uma das principais linhas de investigação é o fato de Dorcelina ter se negado a receber, numa operação ilegal, R$ 1 milhão em troca do pagamento de uma dívida de R$ 4,3 milhões com o Banco Santos.
A tentativa de suborno ocorreu dias antes do assassinato, no último sábado, e não há nenhuma evidência que envolva o banco. O dinheiro da propina seria desviado dos cofres municipais. Os delegados da PF devem ajudar na checagem de informações que possam estar relacionadas com a tentativa de suborno, investigando até mesmo outras cidades da região. Pelo menos 26 prefeituras do Mato Grosso do Sul fizeram empréstimos semelhantes ao de Mundo Novo. Dez delas estariam sob suspeita.
O médico José Carlos da Silva, ex-prefeito de Mundo Novo pelo PTB, disse que a prefeitura local tinha autorização da Câmara Municipal para realizar, durante sua gestão, uma Antecipação de Receita Orçamentária (ARO) com o Banco Santos. Silva, que renunciou ao cargo em 95 em meio a denúncias de corrupção feitas principalmente por integrantes do PT, contradiz a versão da administração atual, segundo a qual o empréstimo teria sido ilegal.
O presidente da Câmara, José Antônio Pires (PMDB), confirmou a aprovação. O ex-prefeito também contesta a afirmação feita pelo secretário de Administração do município, Indalécio Vanderlei Franco, de que o dinheiro do empréstimo – R$ 4,3 milhões – ‘‘sumiu dos cofres públicos’’. Segundo Silva, o dinheiro foi usado para pagar três meses de salários atrasados da administração anterior e fornecedores.
O Tribunal de Contas do Estado considerou irregular a ARO, segundo Silva, porque ele não teve tempo de enviar no prazo a comprovação de que a Câmara havia autorizado a operação.

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