PF investiga supostas ligações de Hildebrando com o tráfico em RO
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domingo, 12 de dezembro de 1999
Por Edson Luiz e Dilma Tavares 
Brasília, 12 (AE) - Uma investigação iniciada há quase três semanas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal procura indícios de que o ex-deputado Hildebrando Pascoal também pode estar envolvido no tráfico de drogas em Rondônia. A ligação seria a troca de drogas por veículos roubados no interior do Estado.
As investigações foram iniciadas a partir de informações prestadas por uma testemunha - cujo nome está sendo mantido em sigilo - sobre as ligações de Hildebrando com ladrões de caminhões em Rondônia. A pessoa foi levada ao interior do Estado para identificar os locais onde o suposto grupo do ex-deputado e uma quadrilha de furto de carretas usavam para realizar as transações.
Segundo fontes envolvidas nas investigações, o suposto grupo de Hildebrando não teria ligação direta com o esquema de roubo de caminhões, mas faziam encontros para realizar a troca. "São grupos distintos que faziam negociações entre si", afirmou a fonte.
O Ministério Público Federal está mantendo as investigações em sigilo, já que há a possibilidade de envolvimento de outras pessoas, mas a testemunha já reconheceu o sargento Alex Fernandes - braço direito de Hildebrando no Acre - como uma das pessoas que teriam viajado para a Bolívia para comprar droga e trocá-la por carretas roubadas, possivelmente em Ji-Paraná, no interior de Rondônia.
Segundo a PF, grande parte da cocaína apreendida em Rondônia nos últimos anos veio de Cobija, na fronteira da Bolívia com o Acre, pela BR-317. Testemunhas que depuseram na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, há alguns meses, afirmaram que a droga adquirida por Hildebrando vinha desta região. Maranhão - A testemunha também revelou o envolvimento de Hildebrando no Maranhão, confirmando as informações que já tinham sido feitas pelo caminhoneiro Jorge Meres à CPI e na PF, de que Hildebrando e o ex-deputado estadual José Gerardo tinham negócios naquele Estado envolvendo o crime organizado. Além disso, a PF em Rondônia soube que o traficante Maximiliano Dorado Munhoz Filho, o "Max", um dos maiores do Estado, tinha negócios com um grande político do Acre, o "Tio", que poderia ser a identificação de Pascoal.
O ex-deputado também é citado em outros crimes em Rondônia, como o roubo de carros-fortes. A Delegacia de Narcóticos (Denarc) de Guajará-Mirim atribui ao grupo de Hildebrando um assalto realizado há dois anos, em um carro de dinheiro, na estrada que liga Porto Velho a Guajará-Mirim. Na ocasião, um vigilante foi morto à tiro pelos assaltantes.
Uma operação feita no final de semana em Rondônia poderá revelar um grande esquema de tráfico de drogas envolvendo diversas autoridades locais e de outras regiões. Uma agenda encontrada com um dos presos relaciona uma série de nomes que seriam de pessoas que recebiam droga do grupo. Há três semanas, uma reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" revelou que a PF e a Denarc em Guajará-Mirim estavam investigando o envolvimento de políticos de Rondônia com o narcotráfico.
Segundo um dos delegados que participou da operação deste fim de semana, as anotações encontradas poderão desvendar todo o esquema. Entre os presos pela Polícia Civil de Rondônia estava o empresário Mário Antônio da Silva Ferreira, dono de uma rede de lojas em Porto Velho (RO).


