Londrina- Uma investigação iniciada no final do ano passado pela Polícia Federal em São Paulo para investigar a disseminação de propaganda nazista e o preconceito racial via Internet acabou se desmembrando em ações também em Londrina e Rolândia. Ontem, agentes da Delegacia da Polícia Federal local cumpriram quatro mandados de busca e apreensão nas duas cidades e tomaram o depoimento de um estudante de 21 anos, que foi denunciado pelos crimes mas vai responder em liberdade.
O nome do suspeito bem como pormenores das investigações foram preservados pela PF porque o inquérito corre em segredo de justiça. O jovem residente em Rolândia é suspeito de disseminar o preconceito racial contra negros, judeus e nordestinos e também de fabricar e divulgar propaganda nazista. Tudo isso era publicado em uma comunidade virtual do site de relacionamentos Orkut que já foi excluída, a pedido da Polícia.
Conforme a PF, o estudante usava ''lan houses'' de Rolândia e Londrina para fazer contatos com outros neonazistas do país, principalmente em São Paulo. A PF apurou também que ele teria usado computadores de familiares e o próprio notebook. O delegado comentou que nem sempre é fácil conseguir chegar ao computador que originou as mensagens, porque muitos usuários invadem redes para usar o servidor de Internet e não serem rastreados.
Kuceki disse que o estudante foi ouvido e liberado. Ele afirmou que o rapaz foi indiciado por fazer incitação à discriminação e preconceito através da Internet e ainda por divulgar propaganda nazista. A pena varia de 2 a 5 anos. ''Divulgar suástica ou qualquer outro símbolo nazista é crime federal. A pessoa pode ter uma ideologia qualquer. O que ela não pode é pregar o ódio, o preconceito, a discrinação'', comentou.
Em 2005, a PF se deparou com outra situação de crime de preconceito e racismo em comunidades do Orkut envolvendo residentes de Medicina do Hospital Universitário (HU). Um grupo de estudantes criou duas comunidades onde chamavam funcionários de ''macacos'', ''travesti'', e ofendiam também pacientes. A PF investigou e em fevereiro de 2007 concluiu o inquérito. A Justiça Federal concluiu que o caso seria de competência da Justiça Comum e o processo tramita atualmente na 5 Vara Criminal. Uma funcionária foi indenizada em R$ 30 mil, em primeira instância.
Situações de ofensas, racismo, preconceito e páginas com alusões nazistas são facilmente encontradas nos sites de relacionamentos. Em uma busca rápida é fácil listar comunidades e usuários que mantém imagens da suástica e outros símbolos e que pregam, por exemplo, o ódio aos negros e minorias.

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