Rio, 07 (AE) - Um novo nome está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) como o do técnico que pôs o grampo nos aparelhos da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trata-se do ex-funcionário da empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj) Walter Braga
considerado, dentro da comunidade de informações, um especialista em escuta clandestina.
Segundo fontes ligadas à investigação, Braga sempre trabalhou em associação com o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no Rio Temílson de Resende, o "Telmo".
O agente seria o cabeça do grupo que fez o grampo e exerceria a função de fazer contatos políticos e análises das informações. O ex-técnico da Telerj ficaria com a parte operacional - subindo em postes telefônicos e abrindo as caixas de telefone para fazer grampos. Braga, no entanto, está desaparecido há meses. A equipe do delegado federal Rubens Grandini vem procurando o ex-técnico desde junho. De início, ele era dado como morto, mas informações recentes recebidas pela PF apontam que ele está vivo e escondido.
A polícia espera que, ao encontrá-lo, ele revele como foi feito o grampo e quem o contratou. Braga está sumido, na verdade, desde antes de a história do grampo no BNDES estourar na imprensa. Ele trabalhava na Telerj até 1998, quando foi flagrado retirando um extrato telefônico (informação sigilosa) para um "cliente" numa das estações da empresa, no Leme, na zona sul. Foi demitido por justa causa e desapareceu.
Nas investigações sobre ele, apurou-se que fazia trabalhos para a Polícia Civil - e há informações de que grampeava traficantes que, depois, eram extorquidos por policiais. Especula-se que ele tenha desaparecido por ter sido ameaçado após a demissão. O nome dele também sumiu dos arquivos da antiga Telerj. Para a polícia, Braga trabalhou com um parceiro porque o grampo no BNDES é o tipo de serviço feito em dupla - um no poste e outro na caixa do telefone, no prédio do banco.
A polícia investigou como co-autor do grampo o técnico de telefonia Francisco Carlos da Silva, conhecido como "Papinha", que trabalha na Central Tiradentes da Telemar. No depoimento à polícia, no dia 17, "Papinha" negou que tenha participado do grampo. "Ele nunca soube nada desse assunto, jamais entrou no prédio do BNDES", garantiu hoje o advogado dele, Benedito Ultra Abicair.
De acordo com fontes ligadas à investigação, no entanto, um dos dois técnicos teve acesso à sede do BNDES. A PF está convencida de que o grampo foi feito dentro do banco, com a cobertura de funcionários da área de segurança do BNDES. A qualidade das gravações indica que o grampo estava próximo ao aparelho e a polícia não acredita que uma escuta que durou, no mínimo, três meses - suspeita-se que tenha chegado a um ano - possa ter ficado tanto tempo na central da Telerj. Na rua, os cabos subterrâneos são blindados, o que torna o serviço praticamente impossível.
No depoimento, outro ex-técnico da Telerj, Waldeci Alves de Oliveira, contou que foi convidado para fazer uma extensão no banco pelo detetive particular Adílson Alcântara de Matos - que teria funcionado como intermediário entre "Telmo" e os técnicos do grampo.
Oliveira garantiu ter recusado o serviço, mas disse que Matos deu a ele o nome de um vigilante a quem procurar dentro do banco para facilitar a entrada. Seria um certo Cláudio, que a PF não localizou.
Dentro da polícia, há a convicção de que o grampo no BNDES foi institucional - feito pela Abin com equipamentos da Abin - e, no meio do caminho, as fitas teriam sido vendidas para uso político. Um dado recentemente coletado pela PF veio reforçar a hipótese. Desde janeiro, um grupo de sete a oito agentes da Abin está trabalhando dentro do BNDES nas áreas de telefonia e informática, segurança e documentos sigilosos. A justificativa oficial é de que a Abin quer aperfeiçoar a operação dos setores atingidos pelo grampo.
Mas a polícia questiona se a agência tem alguma atribuição oficial para fazer isso dentro de um banco estatal. Segundo fontes ligadas à investigação, a presença desses agentes foi negociada diretamente pelo ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, e o então presidente do BNDES, José Pio Borges.
Hoje, prestou depoimento na PF o ex-diretor do Centro de Inteligência de Segurança Pública da Secretaria Estadual de Segurança, coronel Romeu Antônio Ferreira. Ele contou ao delegado que foi ele quem, ainda em novembro, apresentou como envolvidos no grampo Matos e o síndico do prédio do BNDES, José Armando Taddei. Ele teria passado os nomes ao engenheiro eletrônico Paulo Renaud, que não os teria repassado à PF.

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