Londrina - Depois de sete dias de muita agonia para a família, enfim foi enterrado na manhã de ontem, no Cemitério Parque das Oliveiras, em Londrina, o corpo da aposentada Mercedes Raia Lessi, de 87 anos. Ela fazia um cruzeiro pela Europa e morreu na terça-feira, 12 horas depois de cair de uma escada e bater a cabeça no Transatlântico Preziosa, da MSC Cruzeiros. O navio atracou na manhã de sábado em Salvador (BA), com o corpo da aposentada a bordo. A Polícia Federal investiga
o caso.
Agentes ouviram depoimentos dos hóspedes e tripulantes, de familiares da aposentada e da equipe que prestou atendimento médico. O navio também foi periciado. A dificuldade de contato para obter notícias e a demora do traslado do corpo deixou a família transtornada. O corpo só foi liberado após perícia no Instituto Médico Legal (IML) de Salvador. Abalados, os familiares preferiram não falar com a imprensa. O genro, o publicitário Valduir Pagani, recebeu várias mensagens de conforto em nome de toda a família nas redes sociais.
Mercedes realizava um sonho antigo e viajava acompanhada das filhas Dirlene e Darli. Quando a embarcação deixava Tenerife, na Espanha, a aposentada seguia para o restaurante do navio para o jantar. Como os elevadores estavam lotados, ela preferiu descer pelas escadas, mas caiu. A assessoria da empresa MSC Cruzeiros informou que a aposentada teria sofrido um mal
súbito.
A Cila Abremar (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos) lamentou o ocorrido e enfatizou que todos os cruzeiros obedecem a regras, controles e imposições de segurança rígidos e determinadas por organismos internacionais. Em nota, a associação explicou que, "apesar dos acidentes graves a bordo de navios de cruzeiro serem bastante raros, a indústria tem uma política de tolerância zero quanto a este assunto. Os navios são obrigados a comunicar todas as alegações aos órgãos policiais competentes ao país de atracação".
Em casos de acidentes e mortes em embarcações, a investigação fica sob responsabilidade dos órgãos superiores. A investigação deve apontar se os turistas receberam treinamento e outras questões determinantes. No caso do Brasil, a investigação fica por conta da Polícia Federal e da Capitania dos Portos, órgão ligado à Marinha Brasileira. A reportagem fez contato com as duas superintendências na Bahia, mas não obteve retorno com detalhes sobre o
caso até o fechamento da edição.

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