PF investiga golpe do seguro em Foz
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quinta-feira, 29 de junho de 2000
Guilherme Gouveia Especial para a Folha De Foz do Iguaçu 
A Polícia Federal de Foz do Iguaçu investiga a existência de uma quadrilha que estaria aplicando o golpe do seguro. Segundo suspeita a PF, a localização da cidade, na fronteira com Ciudad del Este, Paraguai, facilita a ação dos golpistas. Anteontem, agentes da PF prenderam em flagrante Vilmar Pereira dos Santos, 30 anos, que tentava atravessar a Ponte da Amizade, que liga os dois países. Santos estava dirigindo um Monza, placa AEF 0453 de Cidade Gaúcha (PR), que seria vendido no Paraguai.
Ele venderia o carro, daria queixa do roubo, para depois receber o dinheiro do seguro no Brasil, afirmou o delegado-chefe da Polícia Federal de Foz, Eudes Carneiro, referindo-se à forma de atuação do grupo.
Além de Vilmar dos Santos, outras três pessoas integram a quadrilha. Segundo informou o delegado, uma mulher chamada Adélia possivelmente seja a líder do grupo. Outro envolvido é um picareta, responsável pela venda dos carros em Ciudad del Este. O quarto componente ainda não foi identificado. Vamos investigar e indiciar as pessoas envolvidas, disse.
Vilmar dos Santos foi autuado no artigo 296 do Código Penal (falsificação de selo ou sinal público) quando tentava cruzar a ponte com documento falso. Ele tinha em mãos uma procuração do dono do carro, cujo nome não foi revelado pela polícia, para vender o automóvel. Os agentes da PF checaram o documento e constataram que era falso. O tabelionato emitiu uma carta dizendo que não tinha cartão de reconhecimento com aquele nome, e que o selo de identificação não era deles, explicou o delegado.
A polícia recolheu na casa de Adélia algumas anotações que podem comprovar sua participação na quadrilha, mas segundo o delegado há a possibiliudade de gente maior estar envolvida. No momento da prisão, Vilmar dos Santos guardava um bilhete com a letra de Adélia, que explicava o que deveria dizer na hora da fiscalização. Na casa dela encontramos ainda outra parte do bilhete, informou o delegado.
Segundo Eudes Carneiro, o dinheiro da venda do automóvel, avaliado em R$ 5,6 mil, e o do seguro, seriam divididos entre os quatro envolvidos.
A PF irá expedir intimações para colher mais dados sobre o caso. Uma delegada deverá assumir as investigações. Possivelmente eles vêm agindo há algum tempo, acredita Carneiro.
Se for condenado, Vilmar dos Santos poderá pegar de 2 a 6 anos de reclusão. A mulher identificada apenas como Adélia, segundo o delegado, tem antecedentes criminais na PF.


