PF investiga falsificação de quadros portugueses no Rio
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 06 (AE) - A Polícia Federal investiga no Rio a existência de falsificadores de quadros de renomados artistas portugueses do final século passado e início deste, como José Malhôa e Silva Porto, Columbano Bordalho Pinheiro e Carlos Reis. Na semana passada, o governo português comunicou um derrame de obras destes artistas, com quadros no valor de US$ 300 a US$ 400 mil, à Interpol (Polícia Internacional) e à embaixada brasileira em Lisboa.
Os agentes da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários começaram a investigação no Brasil no início desta semana e contam com a colaboração de policiais da Interpol e da Polícia Federal de São Paulo. Além do Rio, Brasília e São Paulo são consideradas pólos de venda de obras de artes falsificadas, segundo a PF.
A Embaixada de Portugal, em Brasília, e o Consulado Português, no Rio, não comentaram a denúncia. "Não sei nada sobre o assunto", disse o cônsul português, Castro Mendes. A PF do Rio pediu ajuda ao serviço do Patrimônio Histórico do Ministério da Cultura, em Brasília, para que museólogos, restauradores e pesquisadores de obras de artes internacionais, sobretudo as portuguesas, orientem os agentes na identificação de obras de artes que teriam sido falsificadas. "É um mercado complicado, fechado e não somos especialistas", explicou um dos policiais federais.
Para um dos mais conhecidos leiloeiros do País, Robeto Haddad, o derrame de quadro falsificados de pintores portugueses não surpreende. "São grandes artistas e o mercado português de artes atravessa um momento muito bom, por causa da estabilidade da economia do país", explicou Haddad. "Isso facilita o surgimento de obras falsas, que podem ser feitas aqui ou em Portugal ", afirmou. O marchand romeno Jean Boghici, de 70 anos
dos quais 40 anos dedicado à arte internacional, diz que a polícia brasileira não terá problema em identificar os quadros falsos e prender os falsários. "Geralmente são cópiais mal feitas e grosseiras."


