PF investiga denúncias de instalação de minas em fazendas do PR
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 19 (AE) - O ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho, informou hoje que a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar se fazendeiros do Paraná estariam realmente instalando minas terrestres para conter os sem-terra. Silva Filho disse ter conversado pelo telefone com a advogada Dionéia Fróes Dresch e que ela garantiu não haver fazendeiros se armando com minas terrestres para enfrentar os sem-terra no Paraná, como chegou a ser noticiado em alguns veículos de comunicação. A versão de Dionéia é que ela informou aos repórteres que muitos fazendeiros "queriam" se armar com minas para enfrentar os sem-terra. A notícia, no entanto, causou preocupação em vários gabinetes de autoridades de Brasília.
Pela manhã, o ouvidor telefonou para a superintendência da PF, para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e para a Polícia Militar do Paraná. O serviço de inteligência da PM fez um rastreamento nas fazendas em municípios paranaenses, onde supostamente os fazendeiros teriam instalado minas. A Polícia Militar, porém, informou ao ouvidor que não existem minas instaladas. A PF convocou a advogada para depoimento, que seria prestado na tarde de hoje.
Apesar de ter sido considerada apenas um boato, a informação sobre supostas minas para conter os sem-terra causou preocupação em Brasília, inclusive no Palácio do Planalto, onde está instalado o serviço de inteligência do governo federal. O Ministério da Justiça determinou que a PF investigue ao máximo a informação. O ouvidor Agrário Nacional anunciou que, na próxima semana, viaja ao Paraná, onde pretende reunir-se com os fazendeiros que supostamente estariam se armando.
Silva Filho antecipou hoje que vai dizer a estes fazendeiros que eles poderão perder suas terras se instalarem minas terrestres. Ele afirmou que na conversa que teve com a advogada pela manhã interpretou que Dionéia "se precipitou" ao dizer que fazendeiros estariam se armando com minas.


