Uma disputa de poder entre índios guaranis da Reserva Laranjinha, em Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), resultou em denúncia de ameaça na Polícia Federal de Londrina. Um inquérito será instaurado para apurar a denúncia. Ontem, as partes discordantes se reuniram na PF, com um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), para uma tentativa de acordo. De um lado estava o líder indígena Wilson de Oliveira, de 42 anos, e seus familiares. De outro, o cacique Mário Raolino Sampaio.
Oliveira deixou a aldeia há cerca de 11 dias, segundo ele porque ''conseguiu'' fugir, e mesmo assim chegou a ser perseguido em Santa Amélia pelos ''brancos'' e índios caingangues da Reserva do Apucaraninha. ''Tentei o apoio da Funai da minha região, mas eles não me atenderam, tive de buscar proteção na regional de Bauru (SP)'', reclamou. Oliveira contou que as famílias vêm sendo ameaçadas há 20 anos, quando pessoas ligadas ao atual cacique já expulsavam e espalhavam terror entre as famílias dissidentes.
Segundo outro líder indígena, Reginaldo Aparecido Alves, de 28 anos, índios que não aceitam as determinações do cacique são ameaçados de morte e impedidos de sair da reserva. Na aldeia residem 48 famílias e cerca de 15 não estariam de acordo com o cacique. Desde quarta-feira, outros seis indígenas que conseguiram ''fugir'' da aldeia estão em Londrina e temem retaliações aos familiares que ficaram na reserva.
Ontem, o cacique Raolino disse que as denúncias de ameaças são ''mentiras'' e que os problemas são ''coisas internas da comunidade''. ''Eu não quero que eles saiam, todos são índios, convivem, trabalham'', afirmou. Ele citou como exemplo de discordância a escolha do que plantar. ''A gente faz uma reunião para discutir plantio, 30 querem plantar soja, ele (Oliveira) quer feijão, e mesmo com a (escolha) da maioria, ele não concorda'', disse.
Segundo o delegado Luiz Pontel de Souza, o que se conseguiu na reunião foi uma revisão da expulsão de Oliveira da aldeia, motivo da sua ''fuga''. ''É um problema interno, de disputa de poder, intrigas. Mas, ameaça é crime e isso será apurado'', disse.

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