PF investiga conivência de funcionários do BNDES em grampo
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Eliane Azevedo e Roberta Jansen 
Rio, 01 (AE) - A Polícia Federal (PF) está investigando a possibilidade de ter havido a conivência de funcionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na escuta telefônica clandestina feita na instituição. No depoimento em juízo, o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha afirmou que dois superintendentes do banco estariam envolvidos no caso. Ele disse também que o síndico do prédio, José Armando Taddei, e o chefe da segurança, coronel Fernando de Oliveira Araújo, "não tinham como não saber da existência dos grampos".
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Taddei, Oliveira e os demais funcionários ouvidos no início do inquérito terão de ser reinquiridos.
O síndico do prédio negou que tenha qualquer envolvimento com o caso. "Passam 3.000 pessoas por dia pelo BNDES e não há como ter total controle disso", afirmou Taddei.
Oliveira também negou as acusações de Rocha. Segundo Oliveira, para que algum estranho entrasse no gabinete, a pretexto de fazer consertos, seria necessária uma autorização dele. "Se o trabalho for num lugar com objetos de valor, um vigilante acompanha a pessoa", explicou o coronel. "Mas meus guardas não têm noção de telefonia e não saberiam identificar o que um técnico está realmente fazendo."
A PF examina a hipótese de que, além da interceptação das quatro linhas diretas que serviam à presidência do BNDES constatada pela perícia, tenha havido também um grampo no aparelho telefônico de ramal do presidente.
"Não é possível fazer grampo na linha dos ramais digitais, apenas nos aparelhos", contestou o engenheiro de telecomunicações Gustavo Borges, diretor da empresa Pert Consultoria e Projetos, responsável pelo projeto de telefonia do BNDES. A empresa trabalha em parceria com o grupo Network Consultores Associados, cujo diretor-presidente é o coronel da reserva do Exército Marcelo Romeiro da Roza, primo de Borges e irmão do presidente da Telemar Rio, Márcio da Roza.
A hipótese, no entanto, surgiu com a informação dada pelo especialista em segurança Bechara Jalkh, chamado pelo banco em julho para preparar um plano de segurança do prédio. Os técnicos da empresa encontraram vestígios de uma espécie de extensão, feita a partir do aparelho. Para fazer isso, seria necessário que o autor do grampo tivesse acesso físico ao gabinete.
O Ministério Público irá entrar com recurso na segunda-feira (04) contra a revogação da prisão preventiva do principal suspeito do grampo no BNDES, o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o "Telmo".


