A Superintendência da Polícia Federal no Amazonas vai abrir inquérito para investigar a morte do funcionário da Funai Raimundo Batista Magalhães, 42, na reserva Vale do Javari, oeste do Amazonas, próximo à fronteira com o Peru. O funcionário foi morto a pauladas pelos índios corubo na sexta-feira. A informação foi dada ontem pelo diretor do Departamento de Índios Isolados da Funai, Sydney Possuelo, 57, por telefone de Tabatinga (AM).
Possuelo disse também que fará ‘‘uma série de reformulações’’ no posto que, para evitar ataques, funciona em dois barcos no meio do rio Ituí na área indígena.
‘‘Precisamos de materiais e homens adequados. Vamos equipar o posto e fazer algumas trocas no pessoal’’, disse Possuelo, evitando entrar em detalhes.
Na última sexta-feira, os corubo atacaram quatro funcionários da Funai que faziam um novo contato na margem do rio. Magalhães foi morto com pancadas na cabeça. Os outros três conseguiram escapar no barco. Para a Funai, a causa do ataque seria uma reação a brigas, disputas e conflitos acumulados nos últimos anos.
‘‘Esses índios vêm sendo assassinados, massacrados, explorados, roubados pelos brancos há anos’’, disse Possuelo.
Na região, há ribeirinhos que extraem madeira, caçam, invadem a área indígena. ‘‘Já ocorrem dezenas de mortes dos dois lados.’ No posto trabalhavam dez funcionários. Apenas Magalhães e mais dois eram efetivos. Os outros são contratados temporários. Três estão afastados, doentes de malária.
Magalhães era auxiliar de sertanista da Fundação Nacional do Índio e trabalhava havia 17 anos com índios isolados (com pouco ou nenhum contato com o branco).
Os corubo não usam arco e flecha, mas são agressivos e conhecidos como ‘‘caceteiros’’, por atacar com uma espécie de porrete de madeira. Desde 1972, a Funai tentava contato com eles. O primeiro foi feito no ano passado. Nesses 25 anos, os índios mataram oito funcionários da fundação e um da Petrobrás. Nos últimos dez meses, os corubo fizeram quase 30 contatos com a Funai, sem incidentes.

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