PF investiga aliciamento de mão-de-obra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de novembro de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A Polícia Federal de Maringá abriu inquérito e acionou a Interpol (polícia internacional), para apurar o crime de aliciamento de trabalhadores da região Noroeste do Paraná, que estão sendo deportados da Inglaterra. Pelo menos 20 vítimas que moram em vários municípios próximos a Maringá já prestaram depoimento e acusaram pessoas e uma agência de viagens que prometiam emprego e indicavam os salários. A promessa não era concretizada quando os trabalhadores chegavam à Inglaterra. Alguns chegaram a ser deportados ao entrar no país.
Conforme relato da maioria dos deportados, a promessa era de trabalho em indústrias, com salário de 250 libras por semana (cerca de R$ 670,00), além de moradia e alimentação. Quando as pessoas chegavam lá a situação era completamente diferente, revela o delegado da PF, Antônio Hadano.
No depoimento, as vítimas alegaram que foram recebidos pelo agenciador, percorreram alguns lugarejos próximos a Londres e, depois, comunicados dos empregos e das condições.
Na realidade, o salário girava em torno de 70 a 80 libras, sem direito a alimentação, transporte nem moradia. O serviço também era diferente do combinado. Os contratados tinham que trabalhar na colheita manual de legumes e verduras ou em granjas, no abate de suínos. Uma das vítimas chegou a ser agredida porque fotografou o local de trabalho, conta o delegado Hadano.
A polícia tem informações também que os agenciadores exigiam R$ 1 mil na chegada dos trabalhadores e forneciam identidade falsa de Portugal. Quando não aceitavam o trabalho, as pessoas eram abandonadas e acabavam sendo deportadas.
Um grupo de quatro homens e duas mulheres, revelou o delegado, chegou a ser preso e depois de quatro dias mandado de volta ao Brasil. Hadano conta ainda que, pelos depoimentos, há brasileiros e ingleses envolvidos no agenciamento de vítimas que perdem, em média, de R$ 3 mil a R$ 4 mil cada. São pessoas que perdem tudo o que economizaram. Chegam lá, passam fome e frio porque nem roupas adequadas possuem, revela o delegado.
As pessoas que receberam identidade falsificada, segundo a polícia, só não tiveram problemas maiores com a Justiça inglesa porque destruíram o documento.
O delegado disse que ainda está ouvindo as pessoas e pretende convocar os responsáveis pela agência (o nome está sendo mantido em sigilo) citada pelas vítimas. Elas foram também orientadas a cancelar o pagamento ou cheques entregues às pessoas ou agências. Para Hadano, as pessoas enganadas com a promessa de emprego fácil no exterior têm uma parcela de culpa porque sabem que, ao saírem do País, estão agindo ilegalmente já que desembarcam como turistas.


