Foz do Iguaçu - Os 23 agentes federais presos em março sob acusação de contrabando na fronteira e libertados em julho por ordem do Tribunal Regional Federal (TRF), da 4 Região em Porto Alegre (RS), responderão inquérito administrativo na Polícia Federal de Foz do Iguaçu. A chegada dos membros da sindicância a fronteira, marcada para hoje, abre novo capítulo da Operação Sucuri.
Enquanto responde a ação penal em liberdade, o grupo será investigado por um delegado de Santos (SP), um agente da Corregedoria de Brasília (DF), um escrivão de Chapecó (SC) e um agente de Santa Catarina. A equipe, entretanto, está impedida de ver as provas colhidas pelo serviço de inteligência já que os autos estão sob segredo de justiça. O acesso pode ser requisitado pela Advocacia da União.
A comissão terá prazo de dois meses, prorrogável por mais dois meses, para concluir a investigação. Segundo o delegado da PF, em Foz, Geraldo da Silva Pereira, os acusados podem ser advertidos, suspensos, exonerados ou inocentados. Os agentes continuam afastados até a conclusão dos trabalhos, porém podem pedir para serem reincorporados nos cargos.
A indefinição quanto à culpabilidade dos réus mantém o problema do quadro funcional da delegacia já agravado pela recente transferência de servidores para outros municípios. ''Estamos com carência de efetivo'', reconheceu o delegado. Ele aguarda resposta dos pedidos de reforço encaminhados a Polícia Federal, em Brasília.
O desfalque dos 35 servidores equivale a um quarto do total de funcionários da delegacia. O índice é significativo para uma delegacia responsável em combater o tráfico e contrabando numa das mais movimentadas do Brasil, além de ser encarregada de serviços administrativos, como entrada e saída de estrangeiros.
Os três patrulheiros e os sete técnicos da Receita Federal acusados de integrarem a mesma suposta quadrilha de contrabando foram reincorporados, respectivamente, na Polícia Rodoviária Federal e na Receita Federal, logo após serem libertados. Eles também respondem a processos administrativos. Além dos servidores, existem outras 10 pessoas acusadas de participar do esquema. Seriam os atravessadores de mercadorias.
A operação Sucuri realizada em março resultou na prisão de 43 pessoas, inclusive agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal, por envolvimento num esquema de contrabando pela Ponte da Amizade, que liga Brasil e Paraguai. A quadrilha é acusada pelo Ministério Público de cobrar R$ 200 para liberar a passagem de veículos com contrabando.

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