A Polícia Federal e o Exército iniciaram a desocupação gradativa do trecho da Estrada do Colono que corta o Parque Nacional do Iguaçu. Ontem, perto de 100 homens deixaram o acampamento montado em Serranópolis (85 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu) na quarta-feira passada, quando o caminho foi fechado. A saída foi determinada após o término da destruição do percurso que passa dentro da reserva florestal.
O delegado Antonio Borges Filho, do Comando de Operações Táticas (COT), da Polícia Federal, salientou que entre 10 e 50 policiais permanecerão em frente ao acesso do caminho para impedir invasão pelos moradores vizinhos. Ele antecipou que deve ser construído um alojamento com infra-estrutura para os policiais. O local ainda não está definido. ‘‘Eles ficarão patrulhando a estrada’’, disse o delegado.
Esse grupo permanecerá em Serranópolis até que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) termine o plantio das 20 mil mudas de árvores nativas. O reflorestamento foi interrompido nesta semana, porém deve ser retomado na segunda-feira. A direção do Parque Nacional do Iguaçu já reuniu 50 voluntários para fazer o trabalho de recuperação da flora.
Também está prevista a construção de um muro simbólico na entrada do caminho. A obra, prevista para começar hoje, dificilmente impedirá a entrada dos moradores. O comandante da operação, entretanto, não mencionou as dimensões da barreira. ‘‘Quem destruir o muro, pode ser processado por danificar um patrimônio público’’, resumiu Borges Filho.
O bloqueio será construído onde antes funcionava a guarita administrada pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), cuja estrutura foi desmontada ontem por funcionários da Prefeitura de Serranópolis, que pretende reutilizar o material. O Comando de Operações Táticas iria destruir o portão de entrada, mas entrou em acordo com a administração municipal e permitiu a desmontagem feita pelos operários.
A Estrada do Colono corta em 17,6 quilômetros o Parque Nacional do Iguaçu e estava aberta ilegamente desde 1997. As populações de Serranópolis (Oeste) e Capanema (Sudoeste) argumentam que ela é fundamental para sua economia por encurtar em 120 quilômetros a distância entre elas. Ambientalistas sustentam que o caminho prejudica o ecossistema da reserva, além de ameaçar a vida dos animais que cruzam o trajeto.

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