PF inicia análise de documentos de Mânica
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domingo, 15 de agosto de 2004
Eduardo Kattah<br>Agência Estado 
Belo Horizonte- A Polícia Federal inicia hoje a análise do material apreendido nos escritórios e residência do fazendeiro Noberto Mânica, preso na última sexta-feira, em Corbélia (PR). Considerado o maior produtor individual de feijão do País, Mânica é suspeito de ser o mandante do assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho, no dia 28 de janeiro, em Unaí, noroeste de Minas. Ele foi indiciado por homicídio qualificado e formação de quadrilha no inquérito que investiga as execuções.
Anteontem, agentes federais e policiais civis mineiros estiveram na residência e no escritório do fazendeiro, em Unaí, onde estão a maior parte de suas propriedades. Foram apreendidos documentos também no escritório de Mânica no Paraná. As buscas - autorizadas pelo juiz da 9 Vara da Justiça Federal, Francisco de Assis Betti, responsável também pela decretação da prisão preventiva do fazendeiro - resultaram na apreensão de extratos bancários, contas telefônicas, livros contábeis e disquetes de computadores.
De acordo com o delegado Getúlio Bezerra Santos, chefe da Divisão de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF), o material será analisado e os documentos que forem considerados importantes para o esclarecimento da chacina poderão ser anexados ao inquérito. As investigações estão sendo comandadas pelo delegado federal Antônio Celso dos Santos.
A intenção é arregimentar provas que possam comprovar a participação do fazendeiro nos crimes e sua relação com o cerealista Hugo Alves Pimenta, suspeito de ter contratado pistoleiros que efetuaram os disparos contra os funcionários do Ministério do Trabalho. Pimenta, dono da Huma Cereais Ltda., em Unaí, também está preso em Brasília e teria dívidas com Mânica, com quem mantinha negócios na região.
Um dos advogados de Norberto Mânica, José Lindomar Coelho, disse ontem que deverá entrar com pedido de habeas-corpus na Justiça Federal, em Brasília, para a soltura do fazendeiro. ''Nós achamos que a prisão é ilegal e foi precipitada porque não tem nada que comprove a participação dele nos crimes'', afirmou o advogado. Ele disse que visitou Mânica na prisão e que seu cliente está ''contrariado e se sentindo injustiçado''.


