Arquivo FolhaO suspeitoCastro continua internado em estado grave e não pode prestar depoimento O professor Leonardo Teodoro de Castro, apontado pela Polícia Federal como o responsável pelo primeiro atentado a bomba da aviação brasileira, já teria tentado explodir um avião em outras ocasiões.
A opinião é do delegado Pedro Sarzi Júnior, presidente do inquérito que apurou a explosão no interior do Fokker-100 da TAM. O acidente, no dia 9 de julho, provocou a morte do engenheiro Fernando Caldeira de Moura, ejetado a uma altitude de 2.400 metros.
Castro, que permanece internado em estado grave na UTI do Hospital São Paulo, era um dos 55 passageiros do vôo 283, que fazia a rota Vitória (ES)-São Paulo, com escala em São José dos Campos. Ele foi indiciado ontem por homicídio doloso (intencional), agravado por uso de explosivo, e tentativas de homicídio dolosas, agravadas pela presença de menores de idade no avião.
Segundo Sarzi Júnior, ‘‘tudo leva a crer’’ que o professor tenha tentado cometer o crime em outras ocasiões. A hipótese é baseada no histórico de Castro.
Em dezembro do ano passado, ele adquiriu 13 apólices de seguro de vida. Antes do vôo 283, no qual embarcou em São José, Castro viajou de avião em outras três ocasiões (18 de janeiro, 5 e 12 de abril deste ano). Todas em um sábado, com destino a São Paulo e com embarque às 7 horas em Ribeirão Preto. As suspeitas aumentaram, segundo a PF, após a análise em uma das provas que ligam Castro à explosão no Fokker-100: uma etiqueta branca, que estava colada em uma caixa de papelão utilizada para transportar a bomba, com a inscrição ‘‘protótipo’’ datilografada. Exames mecanográficos mostraram que a inscrição havia sido datilografada há algum tempo. Um perito que analisou o material recolhido no apartamento do professor acredita que tanto a etiqueta como a bomba tenham sido confeccionadas pouco tempo depois da compra das apólices.
‘‘Ele já tinha o artefato pronto há mais tempo e, possivelmente, a intenção de cometer o crime também. Não o fez não se sabe o motivo’’, afirmou Sarzi Júnior.
Apesar disso, a PF não conseguiu estabelecer há quanto tempo Castro tinha essa intenção. Nem os motivos que o levaram a colocar a bomba no avião. Isso só seria esclarecido após novo depoimento do professor. No entanto, Castro está internado em estado grave desde o 12 de julho. Ele foi atropelado por um ônibus um dia após ter o seu apartamento revistado por agentes federais. A PF suspeita que ele tenha tentado se matar.
O advogado do professor Leonardo Castro, Tales Castelo Branco, afirmou ontem que as provas levantadas pela Polícia Federal contra seu cliente são, na verdade, apenas indícios. Ele baseia sua afirmação no fato de as buscas no apartamento do professor terem sido, a seu ver, irregulares e na falta de um depoimento de Castro depois de os elementos químicos terem sido encontrados em sua casa.
Para ele, o indiciamento de seu cliente era natural tendo em vista o desenrolar do inquérito. ‘‘A PF não levantou outra hipótese e o resultado era natural para um inquérito malfeito e apressado.’ Castelo Branco aguarda agora a manifestação da promotoria.

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