PF indicia integrantes quadrilha especializada em falsificar documentos de carros importados
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Chico Araújo 
Brasília, 11 (AE) - A Polícia Federal (PF) identificou e já indiciou 13 integrantes - sete deles de Brasília - de uma quadrilha que falsificava documentos de carros importados de diversas marcas para vendê-los no Brasil. Segundo a polícia, os veículos entravam irregularmente no País, sem o recolhimento das guias de importação e pagamento dos respectivos impostos. Os membros da quadrilha vinham atuando nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Piauí e Pernambuco. A PF tem indícios de que a quadrilha pode ser bem maior e estar agindo em quase todo País.
A PF já havia apreendido, até hoje, 54 carros de marcas como Porsche, Mitsubishi, Jeep Cherokee, Mercedes, BMW e Jeep Chrysler, além de motocicletas BMW, Honda e Kawasaki. "Há dezenas de outros carros com problemas", admite o delegado federal Antônio Celso dos Santos, encarregado das investigações. A quadrilha está sendo investigada há um um ano. A PF também está analisando documentos de outros 1.500 veículos para verificar se a importação ocorreu legalmente. Pelos cálculos de Santos, cerca de 30% dos carros importados que circulam no Brasil e não passaram por concessionários estariam ilegais.
Detran - Os veículos foram apreendidos com empresários e pessoas influentes de Brasília e de outros Estados, informou Santos. A PF descobriu ainda que os carros - eles entram pelo Paraguai ou Estados Unidos - eram "legalizados" após serem colocados em nome de laranjas ou pessoas inexistentes ou com endereços falsos. Em seguida, os dados dos carros importados eram colocados no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e passavam a rodar sem problemas no Brasil.
Para "legalizar" a documentação dos carros, a quadrilha contava com a ajuda de funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) do Piauí, que foram indiciados pela PF. Segundo o delegado, as guias de importações não passavam por importadoras e, apesar das irregularidades, eram aceitas pelo Detran do Piauí, facilitando assim ação da quadrilha.


