PF indicia 17 supostos líderes de saques
PF indicia 17 supostos líderes de saques
Renan Calheiros destermina que acusados de organizar saques - a maioria do MST - sejam indiciados em inquérito
Agência Folha
A Polícia Federal vai instaurar inquérito e indiciar a partir der amanhã 17 pessoas de cinco Estados consideradas líderes dos saques que estão ocorrendo no Nordeste. Dos 17 investigados, 16 pertencem ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Entre eles, estão o líder nacional da entidade João Pedro Stédile, e Jaime Amorim, da coordenação nacional do movimento e que atua em Pernambuco. A determinação de abrir inquérito e investigar os supostos líderes dos saques partiu do ministro da Justiça, Renan Calheiros, que participou de reunião para discutir a questão ontem em Recife.
Jaime Amorim disse ontem que a medida do governo federal é só mais uma maneira de calar os movimentos populares. Não é com prisão e indiciamento que se acaba com a fome e com a seca. O governo está perdido e prefere usar a força contra o povo do que resolver o problema. Amorim afirma não temer o indiciamento. Isso só aumentará a motivação para que continuemos lutando para diminuir o sofrimento do povo. Além do mais, não inibirá os saques.
O líder do MST no Pontal do Paranapanema (SP), José Rainha Júnior, disse que a medida do governo de indiciar líderes do movimento é cutucar a onça com vara curta . Se houver prisão preventiva, o MST vai intensificar as ações no Nordeste.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, se julgarem necessário, os delegados responsáveis pelos inquéritos poderão requisitar, de imediato, a prisão preventiva ou temporária dos acusados. Vai depender da periculosidade de cada um , afirmou Chelotti. Os supostos líderes dos saques, disse, serão indiciados sob a acusação de formação de quadrilha, incitação ao crime e à violência ou furto.
Em reunião com representantes das secretarias de segurança e polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal dos nove estados nordestinos, ontem em Recife, Calheiros disse que o governo não permitirá o uso político da seca e da fome na região . Eu não vim defender a repressão aos saques, mas não vamos abrir espaço para que a fome seja administrada política e eleitoralmente , declarou. Isso não vai acontecer. Nós temos que combater a indústria do saque e não podemos permitir que ela seja a sucessora da indústria da seca , declarou o ministro.
Além de João Pedro Stédile e Jaime Amorim, que vive em Pernambuco, integram a lista divulgada ontem pelo ministro, outras 15 pessoas dos Estados do Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. O único acusado que não pertence ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é José Lopes, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé (CE). Segundo documento do Ministério da Justiça com a lista dos supostos líderes dos saques, Lopes não participou diretamente dos saques mas vem coordenando as ações do movimento contra a fome.





