PF incinera maconha encontrada em reserva indígena no MA
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Félix Alberto Lima, especial para a AE 
São Luís, 26 (AE) - A Polícia Federal incinerou ontem (25) uma tonelada e meia de maconha na reserva dos índios Guajajara, no município de Arame, a 515 quilômetros de São Luís. Na reserva indígena Araribóia, a polícia prendeu em flagrante 11 traficantes e localizou 16 mil pés de maconha, 30 quilos de sementes e mais de 200 quilos da droga pronta para o consumo.
A Operação Araribóia foi iniciada no dia 19 de julho, após uma série de denúncias recebidas pela PF de que traficantes estariam utilizando as aldeias indígenas para o plantio e comércio de maconha. Durante uma semana, 15 policiais - com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - fecharam o cerco dos traficantes nos municípios de Arame, Grajaú e Amarante.
"Os traficantes agora estão usando as aldeias indígenas
porque sabem que fica mais difícil o acesso da polícia", afirmou Sidney Lemos, superintendente da Polícia Federal no Maranhão. Segundo ele, os traficantes estão passando a viver com as índias, para receber o apoio da aldeia no tráfico. "O índio não trafica. Ele está sendo usado pelo homem branco", argumenta Élder Lunardi, administrador da Funai em Imperatriz. "Em alguns casos, o índio pode até se envolver com tráfico, mas é influenciado pelo branco", diz.
Em Imperatriz, o Ministério Público e a PF estão investigando o envolvimento de indígenas com o tráfico de maconha. Três índios da tribo Guajajara estão detidos na sede da Polícia Federal. Na reserva Araribóia, de 413 mil hectares - a maior área indígena demarcada do Maranhão - vivem cerca de 6.200 índios Guajajara. Os traficantes infiltrados nas aldeias estocam a maconha em sacos e a enterram para a venda posterior. Atualmente, o quilo da droga está sendo comercializado a R$ 20 00. Mas o valor pode chegar a R$ 200,00, no período da entressafra. A PF e a Funai confirmam que o tráfico não é uma novidade nas aldeias dos Guajajara. "É uma situação de difícil controle devido a extensão da área indígena. Mas estamos trabalhando para mudar esse quadro", diz o administrador da Funai.


