Otávio Magalhães/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Uma toneladaFuncionários do Aeroporto do Rio carregam caixas com material enviado pela advogada Jorgina de FreitasO diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, negou ontem em Brasília ter conhecimento do envolvimento da advogada Jorgina de Freitas, fraudadora do INSS presa na Costa Rica, com o cartel de drogas da Colômbia. A PF investiga o envolvimento de outras pessoas no caso, que pode ser a maior fraude da história do País. A volta de Jorgina ajudaria, mas não será essencial para essas investigações.
Ontem pela manhã o advogado Joaquim Vargas Genet, contratado pela embaixada brasileira em San Jose, capital costa-riquenha, rechaçou qualquer possibilidade de Jorgina não ser extraditada para o Brasil por já ter sido condenada. ‘‘Só não podemos dizer quando serᒒ, afirmou.
A única possibilidade de Jorgina escapar da extradição seria a anulação do processo que resultou na sua condenação a 25 anos de prisão e, segundo seu advogado brasileiro, Carlos Felipe Amadeo, essa será a estratégia da defesa.
Jorgina já recorreu à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que negou o pedido de anulação do julgamento. Os advogados da fraudadora prendem-se a detalhe técnico do processo, que foi julgado em instância única, sem possibilidade de recurso, num foro privilegiado (o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), pois entre os acusados estava um juiz.
A demora do governo da Costa Rica para atender o pedido brasileiro de extradição depende agora exclusivamente dos recursos e manobras que os três advogados de Jorgina (Jorge Granados Moreno, Vitor Piza e o brasileiro Amadeo) vão usar para atrasar a volta da advogada e tentar a anulação. Tanto o governo da Costa Rica quanto o do Brasil desejam que a extradição da fraudadora do INSS se dê o mais rapidamente possível.
‘‘Mas essa não é mais uma questão de governo e sim da Justiça costa-riquenha, que terá total autonomia para decidir’’, disse o vice-chanceler daquele país, Rodrigo Carreras. Na quarta-feira a brasileira foi notificada oficialmente da abertura de seu processo de extradição e terá 10 dias para apresentar provas para a defesa. O juiz titular do caso, Gerardo Rojas, terá mais 10 dias para examinar as provas e dar a sentença. O prazo máximo de prisão preventiva na Costa Rica é de 60 dias.
Seguindo orientação dos advogados, Jorgina tem evitado falar com a imprensa. Ontem assessores do Ministério da Justiça da Costa Rica confirmaram que após dar entrada na penitenciária Bom Pastor a advogada brasileira solicitou e obteve assistência médica de um oftalmologista e de um oncologista (ela teria um câncer no seio).
A Justiça Federal começou a examinar ontem seis caixas com documentos enviados pela fraudadora do INSS Jorgina Maria de Freitas ao Brasil. O material foi retido no terminal de cargas do Aeroporto Internacional do Rio, há oito dias, junto com outros 62 volumes enviados por ela ao País. O material, pesando 1.275 quilos, estava num contêiner.

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