PF ganha prazo para apresentar relatório sobre grampo
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terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 09 - (AE) - O delegado federal Rubem Grandini, encarregado do inquérito que apura o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ganhou mais 20 dias para apresentar ao Ministério Público Federal o relatório final das investigações. O prazo terminaria na quinta-feira (11), mas Grandini solicitou mais tempo para fechar o cerco sobre o ex-coordenador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) do Rio João Guilherme Maia.
As investigações apontam que Maia pode ter tido um papel fundamental na execução do grampo. Para a Polícia Federal (PF), ao contrário do que afirmou, o ex-coordenador seria amigo do agente Temílson de Resende, o Telmo, principal suspeito da escuta telefônica. Ontem (08), Grandini recebeu do Instituto Nacional de Criminalística um laudo com cerca de 600 páginas, que demorou quase um ano para ficar pronto, sobre os extratos telefônicos dos suspeitos. A polícia tem informações de que Telmo ligava com frequência para os celulares usados por Maia. O agente não era subordinado diretamente ao coordenador e reportava-se à área de apoio da Abin. O laudo, porém, não identificou a quem pertencem os telefones encontrados nos extratos. Esse trabalho será feito a partir de agora e, por isso
o delegado pediu a prorrogação do prazo.
A PF quer saber se houve troca de telefonemas entre Maia e o síndico do prédio do BNDES, José Armando Taddei. Eles admitiram em seus depoimentos que se conhecem, mas garantiram não manter contato. No relatório, o delegado deverá sugerir que o grampo foi feito pela Abin - e, apesar de afirmar que o ministro Alberto Cardoso não deu a ordem, Grandini deverá sustentar que ele foi informado das gravações feitas pela agência.


